COMPORTAMENTO DAS CONSTRUÇÕES EM TERRA QUANDO SUJEITAS A UM SISMO Maria Idália Gomes 1 *, Jorge de Brito 2 e Mário Lopes 2 1 Instituto Superior de Engenharia de Lisboa Rua Conselheiro Emídio Navarro, 1, 1950-062 Lisboa, PORTUGAL Tel.: +351 218 317 002; Fax: +351 218 317 021; E-mail: idaliagomes@dec.isel.ipl.pt 2 Instituto Superior Técnico Av. Rovisco Pais, 1049-001 Lisboa, PORTUGAL Tel.: +351 218 419 709; E-mail: jb@civil.ist.utl.pt Tema 2: Materiais e Comportamento Palavras-Chave: Construção em Terra, Sismo, Comportamento Resumo As tecnologias tradicionais de construção com terra são variadas, com inúmeras adaptações à quali- dade da terra, à identidade das culturas e aos lugares, de acordo com as diferentes experiências e com as formas de pensar da sociedade e da época onde se integram. Nas construções de pequeno porte, as paredes em conjunto com os pavimentos e a cobertura de- sempenham, simultaneamente, funções resistentes e estruturais (para cargas verticais e horizontais). Nas construções em terra, é o comportamento das paredes que tem um carácter decisivo no compor- tamento global. Estas construções funcionam por gravidade, pelo que as suas paredes apresentam uma razoável, ou até mesmo boa, resistência a esforços de compressão vertical por serem muito espessas. Pelo contrário, a capacidade das paredes para suportar cargas horizontais, nomeadamen- te as de origem sísmica, é muito variável, podendo ir desde a total inaptidão até a uma resistência satisfatória em construções de pequeno porte, conseguida através de soluções estruturais sismo- resistentes. Os danos provocados pelos sismos nas edificações dependem: da intensidade do sismo; da resistên- cia da edificação; da qualidade da construção e de determinadas características da edificação, tais como a distribuição da massa, a altura, o peso das paredes e da cobertura. Pode-se minimizar a in- fluência da acção sísmica nestas construções, através de uma correcta concepção da estrutura na fase de projecto quer da qualidade da construção. Não existe até à data nenhuma regulamentação para as construções em terra crua, já que apenas as estruturas de betão armado e as metálicas estão contempladas nos regulamentos estruturais Portu- gueses. Existe assim a necessidade de criar normas para as construções em terra crua, tendo em conta as características específicas deste material. Neste artigo, será feito um levantamento do comportamento das edificações de terra quando sujeitas a um sismo. 1. Enquadramento A elaboração deste artigo teve por base um levantamento do comportamento das edifica- ções de terra quando sujeitas a um sismo, com o objectivo de melhor compreender esse comportamento de forma a minimizar os efeitos deste tipo de acção nas construções de ter- ra crua. As tecnologias tradicionais de construção com terra são variadas, com inúmeras adaptações à identidade das culturas e aos lugares de acordo com as diferentes experiências e com as formas de pensar da sociedade e da época onde se integram. Apesar de a construção com terra crua ser uma técnica construtiva simples e de baixo cus- to, tem como principais vantagens as excelentes propriedades térmicas e acústicas que ofe- rece. No entanto, estas estruturas são vulneráveis aos fenómenos naturais tais como sis- mos, inundações e chuvas. Os sismos podem ter como consequência a destruição total de aldeias ou mesmo cidades, especialmente onde não tenham sido tomadas medidas preventivas relacionadas com a resistência sísmica das edificações. A cidade de Bam no Irão, construída maioritariamente com terra, foi praticamente destruída com o sismo de 26 de Dezembro de 2003 (Earthquake