Rev. bras. Educ. Fs. Esp., Sªo Paulo, v.21, n.2, p.135-41, abr./jun. 2007 135 Comportamento sedentÆrios Introduªo Comportamentos sedentÆrios associados ao excesso de peso corporal CDD. 20.ed. 613.25 790.138 Kelly Samara da SILVA * Adair da Silva LOPES * Francisco Martins da SILVA ** *Universidade Federal de Santa Catarina. **Universidade Catli- ca de Braslia. Resumo Este estudo objetivou identificar possíveis relações entre comportamentos sedentários e o excesso de peso corporal. Participaram do estudo 1570 escolares da cidade de João Pessoa, PB, Brasil, com idades de sete a 12 anos. Os estudantes responderam a três questões objetivas sobre a atividade física mais praticada fora da escola (assistir TV, tarefas domésticas, brincar ou praticar esportes), o meio de trans- porte normalmente utilizado (carro/moto/ônibus = passivo e a pé/bicicleta = ativo) e o tempo gasto de casa até a escola. O excesso de peso foi classificado a partir de critérios propostos pela International Obesity Task Force. Para análise estatística, utilizou-se o teste qui-quadrado e a regressão logística multivariada. A chance de apresentar excesso de peso foi de 81% (IC 95% = 1,23-2,65) maior entre os meninos que assistiram TV, em comparação aos que realizaram outras atividades; e três vezes maior (IC 95% = 1,92-5,38) para os escolares que se deslocavam passivamente à escola, em relação aos que seguiam a pé/bicicleta. Nas meninas, a chance de excesso de peso foi 2,27 vezes maior (IC 95% = 1,39- 3,71) entre as que se deslocavam à escola de forma passiva, quando comparadas às que se deslocavam ativamente. Conclui-se que, assistir TV na maior parte do tempo livre para os meninos e utilizar deslo- camentos passivos para ir à escola, para ambos os sexos, aumentou as chances dos estudantes terem excesso de peso corporal. UNITERMOS: Excesso de peso; Sedentarismo; Assistir TV; Transporte escolar. O excesso de peso corporal (sobrepeso/obesida- de), na infância, alcançou proporções epidêmicas em países desenvolvidos e em desenvolvimento, e sua crescente prevalência associada a custos eleva- dos e problemas de saúde atinge meninos e meni- nas indistintamente (ANDERSEN & BUTCHER, 2006). Entre os fatores que contribuem para o excesso de peso corporal em crianças e adolescentes, destaca- se a adoção de comportamentos sedentários (exces- so de tempo em frente à televisão ou ao computador, acessibilidade a utensílios eletrônicos) e o uso de deslocamentos menos ativos (SALMON, CAMPBELL & CRAWFORD, 2006). A AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS (2001) re- comenda que o tempo total dedicado aos meios de comunicação e outros entretenimentos eletrônicos não devem exceder a duas horas por dia para crian- ças e adolescentes. Porém, estudos demonstraram que grande parte do tempo despendido em frente das telas pelas crianças e adolescentes (dois a 17 anos) excedem essas recomendações (ROBINSON, 1998), podendo exceder, até mesmo, o tempo gas- to na escola e em todas as outras atividades, exceto o sono (KAISER FAMILY FOUNDATION, 2006). Quantidades excessivas de tempo dedicado a ati- vidades sedentárias são consideradas fatores de ris- co para a obesidade em jovens (SALLIS & GLANZ, 2006). Levantamentos representativos em crianças e adolescentes têm apresentado associações entre tempo gasto assistindo TV e o excesso de peso (DUTRA, ARAÚJO & BETOLDI, 2006; GOTMAKER, MUST, SOLBOL, PETERSON, COLDITZ & DIETZ, 1996;