v.18, n.1, jan.-mar. 2011, p.259-261 259 Emílio Goeldi e o Museu Paraense Emílio Goeldi e o Museu Paraense: em busca do conhecimento sobre a natureza amazônica Emílio Goeldi and the Paraense Museum: in quest of an understanding of nature in the Amazon Luciana Rossato Professora da Universidade Estadual de Santa Catarina. Doutora em história pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. lucianarossato@yahoo.com.br A o escrever a biografia do zoólogo suíço Emílio Goeldi, Nelson Sanjad focou principalmente o período em que o naturalista viveu no Brasil, entre os anos de 1884 e 1907, inicialmente no Rio de Janeiro e posteriormente em Belém do Pará. Durante esse período Goeldi desenvolveu vários estudos científicos, mas tornou-se nacional e mundialmente conhecido pelo seu trabalho à frente do Museu Paraense (atual Museu Paraense Emílio Goeldi), onde conseguiu conciliar rigor científico e sucesso de público. O livro, no entanto, não é apenas uma biografia do naturalista. É também uma viagem que passa pelo complexo campo dos estudos científicos no Brasil no final do século XIX e início do XX, pelas relações estabelecidas entre órgãos científicos brasileiros e seus congêneres europeus e pelas contribuições de cientistas europeus para o conhecimento da natureza brasileira e amazônica. O autor é doutor em história das ciências e da saúde pela Fundação Oswaldo Cruz. Atualmente é coordenador de Comunicação e Extensão do Museu Paraense Emílio Goeldi/MCT e professor do Centro Universitário do Pará. Realizou extensa pesquisa nos documentos e textos produzidos por Emílio Goeldi, que incluem livros, álbuns, anais e inúmeros artigos publicados em periódicos científicos, revistas e jornais, tanto na Europa como no Brasil. Seu estudo se insere numa vertente das pesquisas históricas que foi retomada recentemente: a biografia. Na década de 1980 houve uma revalorização dos estudos biográficos na França, não com o mesmo objetivo dos historiadores positivistas, que era de resgatar a história dos ‘grandes homens’, mas com a visão de que, a partir da vida dos indivíduos, testemunhas privilegiadas de seu tempo, é possível explicar aspectos do passado. Segundo Kalina Vanderlei Silva “os historiadores optam por uma abordagem em que, por meio da história de vida do retratado, é possível visualizar traços característicos do período histórico em que o mesmo viveu” (2009, p.16). O subtítulo da obra nos remete a ambiguidade da imagem dos indivíduos que se dedicavam à ciência no século XIX: a ventura ou aventura? O autor escolheu a ventura. SANJAD, Nelson. Emílio Goeldi (1859-1917): a ventura de um naturalista entre a Europa e o Brasil. Versão para o francês, Janine Houard. Rio de Janeiro: EMC, 2009, 232p., il.