II SIMBOI - Simpósio sobre Desafios e Novas Tecnologias na Bovinocultura de Corte, 29 a 30.04.2006, Brasília-DF ESTRATÉGIAS NUTRICIONAIS PARA MELHORIA DA CARCAÇA BOVINA Márcio Machado Ladeira 1 , Ronaldo Lopes Oliveira 2 INTRODUÇÃO O consumo mundial de carne bovina apresentou crescimento inexpressivo nos últimos anos (Tabela 1) e em muitos países sofreu reduções, como no caso da Europa na década passada. Para se ter uma idéia disso, no Reino Unido o consumo “per capita” no ano de 1990 era de 175 g/dia, já em 1997 este consumo caiu para 145 g/dia (Moloney et al., 2001). Um dos principais fatores responsáveis por esta queda no consumo foi o aparecimento na Inglaterra da Encefalopatia Espongiforme Bovina, também conhecida como “doença da vaca louca”, que foi responsável pela morte de pessoas após o consumo de carne bovina. Também não se pode esquecer que a concorrência com outras carnes, consideradas “mais saudáveis” e em muitos casos de menor custo, também influenciaram negativamente o consumo de carne bovina nos últimos anos. A Tabela 1 mostra que no período de 2000 a 2004 os consumos das carnes suína e de frango apresentaram crescimento bem mais expressivo, em relação à carne bovina. Todavia, o cenário atual sinaliza para mudanças, já que o avanço da gripe aviária pelo mundo tem resultado em queda no consumo de carne de frango. Portanto, fica claramente evidenciada a preocupação pelo consumidor por produtos saudáveis. Se a população não estiver ciente da segurança alimentar e qualidade do produto, o consumo deste será prejudicado, o que afetará toda a cadeia produtiva: produtores rurais, frigoríficos, varejo etc. Além disso, as contas externas de um país como o Brasil, maior exportador de carne bovina e segundo maior exportador de carne de frango (MAPA, 2005) também serão fortemente afetadas. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) publicou em novembro de 2005 um estudo sobre as perspectivas do consumo de carne bovina para o ano de 2006. Segundo este relatório o consumo mundial de carne bovina deve apresentar crescimento anual de 2,9%, chegando a 51,74 milhões de toneladas equivalente-carcaça. Os EUA devem continuar a ser o país com o maior consumo mundial, previsto em 13,06 milhões de toneladas para 2006. Para o Brasil, as previsões para o consumo de carne bovina indicam crescimento de 3,9%, chegando a 7,04 milhões de toneladas. O consumo “per capita” estimado será de 37,4 kg/pessoa, crescimento de 2,7% em relação a 2005. A Figura 1 apresenta os dados de consumo nos principais países. Estes dados são importantes, pois mostram quais os principais mercados o Brasil deve dirigir esforços para exportação. 1 Zootecnista, D.Sc., Professor Adjunto Depto. Zootecnia – UFLA 2 Zootecnista, D.Sc., Professor Adjunto Depto. Produção Animal – EV/UFBA