24 Cienc Odontol Bras 2008 out./dez.; 11 (4): 24-29 Estudo epidemiológico descritivo do carcinoma epidermóide bucal em uma população brasileira Descriptive epidemiological study of oral squamous cell carcinoma in a brazilian population Fernando Augusto Cervantes Garcia de SOUSA Thaís Cachuté PARADELLA Doutorando – Programa de Pós-Graduação em Biopatologia Bucal – Área de Concentração Biopatologia Bucal – Faculdade de Odontologia de São José dos Campos – UNESP – Universidade Estadual Paulista - São José dos Campos – SP – Brasil Luiz Eduardo Blumer ROSA Professor Adjunto – Disciplina de Patologia Bucal – Departamento de Biociências e Diagnóstico Bucal – Faculdade de Odontologia de São José dos Campos – UNESP – Universidade Estadual Paulista - São José dos Campos – SP – Brasil Horácio FAIG LEITE Professor Titular – Disciplina de Anatomia – Departamento de Biociências e Diagnóstico Bucal – Faculdade de Odontologia de São José dos Campos – UNESP – Universidade Estadual Paulista - São José dos Campos – SP – Brasil RESUMO O objetivo deste trabalho é descrever as características epidemiológicas dos casos de carcinoma epidermóide numa população brasileira. Foram analisados os laudos com o diagnóstico histopatológico de carcinoma epidermóide em mucosa bucal emitidos por um importante centro de referência em Patologia Bucal da cidade de São José dos Campos - SP entre janeiro de 1972 e outubro de 2007. Dos 271 casos diagnosticados, 64,45% acometeram indivíduos do gênero masculino e da raça branca. Quanto à idade, 88,76% dos casos ocorreram entre a quinta e a oitava década de vida, sendo a média de idade no momento do diagnóstico para o gênero masculino de 58,79 ± 12,47 anos e para o gênero feminino de 63,94 ± 13,46 anos. Em cerca de 10% dos casos foi relatado tabagismo e/ou alcoolismo. A língua foi a região mais freqüentemente acometida (23,17%), seguida pelo lábio (22,01%) e pelo assoalho bucal (15,06%). Clinicamente, o tamanho da lesão primária no momento do diagnóstico foi, em média, 2,26 ± 1,17 cm e seu tempo de evolução foi 9,13 ± 11,75 meses para o gênero masculino e 6,46 ± 8,83 meses para o gênero feminino. Em 37,64% dos casos foi relatada dor. Em 90,41% dos casos diagnosticados houve concordância entre o diagnóstico clinico e o histopatológico. Quanto ao grau de diferenciação histológica, 38,89% dos casos diagnosticados eram bem diferenciados, 50,00% moderadamente diferenciados e 11,11% pouco diferenciados. Estes resultados estão de acordo com a literatura e reforçam a importância de políticas públicas de combate ao câncer bucal. UNITERMOS Câncer bucal; carcinoma epidermóide; mucosa bucal; epidemiologia. INTRODUÇÃO O câncer bucal é um problema de saúde pública em muitos paises 1,5-8,14-15,18,20,22,24 , inclusive no Brasil 2,9,12 . Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para o ano de 2006, foram diagnosticados no país 472.050 novos casos de câncer, sendo que, destes, 13.470 acometeram a cavidade bucal, colocando-a como o sexto local de maior incidência da doença entre os homens e o oitavo entre as mulheres 2 . Inde- pendentemente do gênero, a maioria dos casos diag- nosticados corresponde ao carcinoma epidermóide e está relacionada a fatores de risco como tabagismo, alcoolismo, hábitos alimentares, fatores ocupacionais, radiação solar, entre outros 5,6,8-10,15-14,18,20-21,24 .