Apresentação do dossiê Beatriz Ana Loner: Mundos do Trabalho e Pós-Abolição Fernanda Oliveira da Silva * Melina Kleinert Perussatto ** Micaele Irene Scheer *** A análise das associações negras mereceu um estudo à parte. Isso porque, em razão do forte preconceito e discriminação que enfrentavam na sociedade, os negros foram obrigados a desenvolver uma rede associativa completa e diferenciada das demais. Eles formaram desde entidades recreativas até entidades de classe, para organizarem-se na luta pelos seus direitos como trabalhadores e de resistência contra o preconceito e a dominação branca. Nesse processo, provaram possuir um alto grau de criatividade e determinação que a simples enunciação de suas entidades deixa entrever. 1 Embora o fragmento disposto acima evoque uma epígrafe, damos início à apresentação explicitando que ele é bem mais que isso. Aquilo que entendemos como a síntese da unidade entre o campo de estudos dos Mundos do Trabalho e aquele que viria a se constituir como campo de estudos sobre as Emancipações e o Pós- -Abolição, foi escrito pela pesquisadora e professora que dá nome ao dossiê, Beatriz Ana Loner. O excerto foi retirado de seu livro, “Construção de Classe: operários de Pelotas e Rio Grande, 1888-1930”, de 2001, com segunda edição em 2016. O livro é oriundo de sua tese de doutorado, defendida em 1999, junto ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ao destinar um capítulo para a análise das associações negras, Beatriz Ana Loner enfrentava, a um só tempo, diferentes problemas já consolidados na historiografa brasileira: a compreensão dos signifcados do trabalho e da construção da classe operária, mas também a atenção às cores dos trabalhadores e as dinâmicas do racismo antinegro entre os trabalhadores. Loner foi sem dúvida uma precursora 1 LONER, Beatriz Ana. Construção de classe: operários de Pelotas e Rio Grande, 1888-1930. 2. ed. Editora da UFPel: Pelotas, 2016. p. 167. https://doi.org/10.5007/1984-9222.2019.e70613 1 Revista Mundos do Trabalho | Florianópolis | vol. 11 | 2019 | p. 1-4 Pós-Doutoranda na Universidade do Estado de Santa Catarina. Pós-doutora pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Doutora em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E-mail: feolisilva@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8198-3552. ∗∗ Pós-doutoranda na Universidade do Rio dos Sinos. Doutora em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E-mail: melinaperussatto@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0001- 9356-5956. ∗∗∗ Doutoranda na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E-mail: scheermica@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0465-2906.