151 CASO CLÍNICO REVISTA PORTUGUESA DE CIÊNCIAS VETERINÁRIAS Resumo: Na literatura científica existem alguns trabalhos que documentam os efeitos nocivos de Thaumetopoea pityocampa, processionária do pinheiro, nesta espécie vegetal e no Homem. No entanto, os artigos sobre este tema em Medicina Veterinária são escassos. Neste trabalho descrevemos cinco casos clínicos de intoxicação por Thaumetopoea pityocampa em pequenos animais e relacionamo-los com o ciclo de vida do insecto na região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Palavras chave: Thaumetopoea pityocampa, cão, intoxicação, processionária do pinheiro Abstract: There are several scientific papers describing the harmful effects of Thaumetopoea pityocampa in man and pines. However, papers about the effects of pine processionary in dogs are uncommon. The aim of this paper is to analyze the biological cycle of caterpillar with clinical signs observed in five cases pre- sented to the Veterinary Hospital at Universtity of Trás-os-Montes and Alto Douro. Key Words: Thaumetopoea pityocampa, dog, pine processionary caterpillar, poison Introdução Os animais domésticos, e em especial o cão, são muito curiosos, sendo frequentemente vítimas do seu comportamento. Nas suas incursões farejam e cheiram espécies animais possuidoras de propriedades tóxicas, como é o caso de insectos, serpentes, sapos, processio- nárias, entre outros (Poisson et al., 1994; Bernal et al., 2000). A processionária do pinheiro, designada também como lagarta do pinheiro, é denominada pelo nome científico de Thaumetopoea pityocampa, pertence à ordem lepidóptera, à família Thaumatopoidea e ao género Thaumetopoea. Esta espécie, conhecida desde a antiguidade, começou a ser estudada com o objectivo de melhor compreender o seu papel devastador na floresta. Considera-se hoje que, após os incêndios florestais, é a praga mais destrutiva para o pinheiro (Contreras e Figueroa, 1997). Thaumetopoea pityocampa é uma espécie mediterrâ- nea que se distribui pela Península Ibérica estendendo- se à Turquia e ao Norte de África. As espécies animais susceptíveis de serem afectadas na fauna selvagem são as raposas, as ginetas e os texugos, e nos animais domésticos os cavalos, as ovelhas, as aves, os suínos, o cão e o gato (Lorgue et al., 1996; Contreras e Figueroa, 1997). O ciclo de vida da processionária do pinheiro (Figura 1) inclui duas fases que decorrem em estratos diferen- tes do ecossistema florestal. A fase aérea na copa do hospedeiro, inclui a postura e o desenvolvimento larvar e a fase subterrânea a pré- pupação, pupação e desen- volvimento do adulto. A passagem de uma fase à outra verifica-se entre Fevereiro e Maio com a migração colectiva das lagartas, que abandonam o hospedeiro em procissão (Figura 2) para se enterrarem no solo a alguns centímetros de profundidade. A fase aérea inicia-se em Junho prolongando-se até Agosto com a emergência dos adultos e posterior aca- salamento. As fêmeas, depois de fecundadas procuram o local mais adequado para a postura (Arnaldo, 1997). Em meados de Setembro, e uma vez completo o desenvolvimento embrionário, nascem as lagartas. Decorrido o primeiro estádio de desenvolvimento, as lagartas sofrem a primeira muda. Nesta fase, as lagartas apresentam pêlos brancos na região lateral e alaranjados na região dorsal, destacando-se já peque- nas manchas negras em cada segmento, que corres- pondem aos receptáculos dos futuros pêlos urticantes. A duração deste estádio é de cerca de quinze a vinte dias, após o que as lagartas sofrem a segunda muda (Arnaldo et al., 1999). A partir do terceiro estádio, as lagartas tecem ninhos definitivos onde se agrupam grande número de indivíduos provenientes de várias posturas (Demolin, 1965). A estrutura destes ninhos permite a acumulação do calor necessário à sobrevi- vência das colónias durante o Inverno (Figura 3). As Cinco casos clínicos de intoxicação por contacto com a larva Thaumetopoea pityocampa em cães Report of poison in five dogs after contact with Thaumetopoea pityocampa P. Oliveira 1* , P. S. Arnaldo 2 , M. Araújo 3 , M. Ginja 1 , A. P. Sousa 1 , O. Almeida 1 e A. Colaço 1 1 CECAV- Departamento de Patologia e Clínicas Veterinárias, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, 5000-911 Vila Real-Portugal 2 Departemento de Protecção de Plantas, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, 5000-911 Vila Real-Portugal 3 Laboratório de Farmacologia, Departamento de Imunofisiologia e Farmacologia, ICBAS, Universidade do Porto, Largo Professor Abel Salazar, nº.2, 4099-003 Porto-Portugal * Correspondente: mginja@utad.pt Tel. 259350632, Fax. 259350480