272 • Rev Bras Educ Fís Esporte, (São Paulo) 2021 Abr-Jun;35(2):272-281 Marques N, et al. Introdução Efeito da bandagem elástica em testes funcionais e na co-contração dos músculos do tornozelo em praticantes de Crossfit Gabriel Paglioni Garcia * Ricardo José Tecchio Serrão * Marina Hiromi Kuroda ** Vinicius Christianini Moreno ** Camilla Zamfolini Hallal * Nise Ribeiro Marques ** *Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, MG, Brasil. **Centro de Ciências da Saúde, Universidade do Sagrado Coração, Bauru, SP, Brasil. Resumo O uso da bandagem elástica pode gerar efeitos positivos sobre o controle neuromuscular e biomecânica do movimento, tal como o aumento da estabilidade articular. Assim, o objetivo do estudo foi avaliar o efeito da bandagem elástica na co-contração dos músculos do tornozelo, na cinemática e no desempenho durante testes funcionais em jovens praticantes de Crosst®. Participaram do estudo 21 jovens (idade: 27,1 ± 5,8 anos) praticantes de Crosst®. No primeiro dia de coleta foram realizados os procedimentos: as contrações isométricas voluntárias máximas de gastrocnêmio medial e tibial anterior, familiarização e coleta de dados do salto vertical. No segundo dia, foram realizados: a coleta de dados dos testes funcionais (Multiple Hop Test – MHT; e Star Execution Balance Test – SEBT). Todos os testes foram realizados nas condições com e sem bandagem elástica, com a ordem aleatorizada e um intervalo de cinco minutos entre as condições. Para a análise cinemática foi considerado a aceleração do tornozelo nos eixos: transversal (X) e horizontal (Z), durante a aterrissagem do salto. O nível de signicância foi de p < 0,05. O ANOVA one-way medidas repetidas não encontrou diferença para as comparações realizadas de co-contração e cinemática. Durante o SEBT, houve aumento do alcance máximo de 3,8% e 5,6% nas direções ântero medial (p = 0,001) e póstero medial (p = 0,005) durante a condição com bandagem elástica. No MHT, houve redução do tempo de execução, em 5,7% e 7,1% dos saltos em progressão anterior com desaos (p = 0,018 e p = 0,009) na condição com bandagem elástica. O uso da bandagem elástica melhorou o desempenho em testes funcionais de jovens praticantes de Crosst®, possivelmente, decorrente de efeito placebo. PALAVRAS-CHAVE: Cinemática; Eletromiograa; Fisioterapia. A bandagem elástica é uma técnica terapêutica que foi criada por Kenzo Kase 1 . Esta técnica se diferencia de bandagens rígidas, pelo fato de que é possível alongar a fta, além do comprimento original, o que possibilita uma menor restrição mecânica ao movimento 2 . A tensão mecânica criada pela fta estirada sobre a pele resulta na estimulação dos mecanoreceptores, que podem gerar efeitos táteis e mecânicos 3 . O uso da bandagem elástica tem sido amplamente difundido no meio esportivo, como forma de prevenção de lesões, bem como, recurso auxiliar no processo de reabilitação 4,5 . Estudo pregresso identifcou o efeito positivo do uso da bandagem elástica no aumento da ativação eletromiográfca dos músculos estabilizadores da escapula em atletas de baseball com síndrome do impacto de ombro 4 . Além disso, também foi identifcado uma redução do momento vertical da força de reação do solo (FRS) e amplitude de movimento de inversão do tornozelo, durante o salto máximo em atletas com instabilidade funcional de tornozelo (IFT) 5 . Em contrapartida, Huang et al. 6 demonstrou que o uso da bandagem elástica aumentou o momento vertical da FRS durante o salto máximo, em relação a condição placebo, o que representa uma alteração https://doi.org/10.11606/issn.1981-4690.v35i2p272-281