Etnocartografia, uma Experiência com Mapeamento Participativo no Acre Renato Antonio Gavazzi Regina Araujo de Almeida Resumo: O presente trabalho fornece elementos para o estudo da cartografia indígena contextualizada a um programa de formação de professores, agentes de saúde e agroflorestais indígenas no Estado do Acre. A experiência aqui relatada é referente às Oficinas de Etnomapeamento realizadas em 8 Terras Indígenas localizadas no alto Juruá na faixa de fronteira internacional entre Brasil/Acre e Peru/Ucayali. Os etnomapas elaborados nessas oficinas vêm sendo importantes instrumentos para os povos indígenas para a gestão territorial e ambiental de suas terras e entornos. Palavras-chaves: Cartografia indígena, Terras Indígenas do Acre; oficina de etnomapeamento; plano de gestão territorial e ambiental. “Eu acho que da primeira geração vem à luta da demarcação dos velhos, dos nossos primeiros velhos que lutaram pela demarcação das nossas terras. Naquela época a gente tinha o conhecimento prático da nossa terra, e a gente não tinha esse conhecimento que a gente está tendo agora, o conhecimento teórico através das imagens satélites. O povo naquela época não tinha acesso a mapa da sua terra, sempre quem fazia os mapas eram só aquelas pessoas que vinham de fora, já traziam o mapa pronto, não era um mapa participativo, era o mapa de alguns igarapés principais e dos limites da terra. Hoje, das três participações que eu faço da oficina de etnomapeamento, eu acho que a gente está conhecendo melhor o quê que é a nossa terra, onde é que fica a nossa terra, que tamanho que é a nossa terra, o que é que tem dentro da nossa terra”. (AAFI Zezinho Yube Kaxinawá, 2005). Introdução Nos últimos 27 anos, vários povos indígenas do Acre em projetos de ações educacionais 1 desenvolvidos pela Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-Acre), vêm utilizando a Cartografia Indígena (ou Etnocartografia) como importante meio para a gestão de seus territórios. Mapear a vida, a paisagem, a geografia, os recursos naturais e os conflitos socioambientais, contando com a participação efetiva das populações indígenas, vem se constituindo numa importante ferramenta para a gestão territorial e ambiental de suas terras. 1 Formação de Professores, Agentes de Saúde a Agroflorestais Indígenas.