Date of Submission 12/03/2019 Date of Approval 22/10/2019 Peer Review Isabel Freire (Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa) Tatiane Elias (CITCEM, Universidade do Porto) keywords lygia pape film pornography brazil pornochanchada anthropophagy feminism palavras-chave lygia pape brasil filme pornografia pornochanchada antropofagia feminismo Abstract This essay analyses two works by the Brazilian artist Lygia Pape (1927–2004): a short film titled Eat Me: a Gula ou a Luxúria? (Eat Me: Gluttony or Lust?, 1975) and a related installation (1976). Both reference advertising and contain erotic images of women. I discuss these works in relation to the Brazilian television and film indus- tries of the 1960s–1980s, including Brazilian pornography and erotica, deemed a threat to traditional values by the country’s military dictatorship (1964–1985), de- spite its inconsistent approach to censoring them. I suggest that Pape appropriates and satirizes—or “cannibalizes”—ads and pornography as to resist the dictatorship’s conservative sex and gender ideologies. Though Pape did not consider herself a feminist, I argue that her Eat Me film and installation present a feminist critique of the heteronormative and patriarchal discourses undergirding the dictatorship and the Brazilian mass media’s commodification of women and sex, especially in advertising and pornochanchadas (sex comedies). • Resumo Este ensaio debruça-se sobre dois trabalhos da artista brasileira Lygia Pape (1927– 2004): a curta-metragem Eat Me: a Gula ou a Luxúria? , de 1975 e uma instalação com esta relacionada de 1976. Ambos os trabalhos referenciam a publicidade e con- têm imagens eróticas de mulheres. Abordo estes trabalhos relacionando-os com as indústrias brasileiras de televisão e cinema das décadas de 1960 a 1980, incluindo a produção pornográfica e erótica, que foi considerada uma ameaça aos valores tradicionais pela ditadura militar (1964-1985), apesar da forma inconsistente como a procurou censurar. Defendo que Pape se apropria e satiriza – ou “canibaliza” – anúncios e pornografia para resistir às ideologias conservadoras em relação à sexualidade e ao género da ditadura. Embora Pape não se considerasse feminista, argumento que o filme e a instalação Eat Me apresentam uma crítica feminista aos discursos heteronormativos e patriarcais que sustentam a ditadura e a mercantili- zação dos média brasileiros, das mulheres e do sexo, especialmente na publicidade e pornochanchada (comédias sexuais). •