XXIII Congresso Brasileiro em Engenharia Biomédica – XXIII CBEB 1 ANÁLISE DO CAMPO TÉRMICO DO ULTRASSOM TERAPÊUTICO EM PHANTOM DE MAMA UTILIZANDO PROTOCOLOS DE 1 E 3 MHz T. Q. Santos*, L. C. Reis*, G. A. Costa*, A. M. Fantinati*, J. F. S. Costa Júnior**, A. J. F. Pereira**, M. A. von Krüger**, C. M. Borba**, W. C. A. Pereira** e L. E. Maggi* *ESEFFEGO /Universidade Estadual de Goiás, Goiânia, Brasil ** Programa de Engenharia Biomédica/ COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil luis.maggi@gmail.com Abstract: We could not find studies using ultrasound therapy to treat benign breast disorders. This study intends to contribute to understand the thermal field generated by ultrasound radiation at therapeutic levels, applied to ultrasonic phantoms of normal breast. In order to obtain the thermal images, we used an infrared camera and later we analyzed them using the program Flir®. We selected application protocols with ultrasound at 1 and 3 MHz, 1W·cm -2 of intensity for 2 minutes, with the transducer stationary and in motion. The higher reached temperature was 45.9°C at a frequency of 3 MHz. More experiments are to be made, nevertheless, the results are innovative as there is no protocol for ultrasound application in breast. Palavras-chave: Ultrassom terapêutico, mama, phantom, câmera infravermelha. Introdução A primeira aplicação tecnológica comercial em ultrassom (US) ocorreu em 1917: sonares para a detecção de submarinos, pelo método pulso-eco. Alguns anos mais tarde, descobriu-se que o ultrassom produzia aumento da temperatura em tecidos biológicos. Entre 1930 e 1940, o US foi introduzido na prática médica como um recurso terapêutico, usado particularmente para produzir calor em tecidos profundos [1]. O ultrassom em fisioterapia requer uma intensidade suficiente para promover o aquecimento do tecido biológico e produzir os efeitos fisiológicos. Dentre estes, podem-se citar o aumento da permeabilidade da membrana celular e seus gradientes de transporte; a diminuição da viscosidade dos fluidos e a facilitação da atuação das células leucocitárias, que participam do processo de reparo dos tecidos, devido à liberação de vasoenzimas e neurotransmissores pelo aumento da temperatura local [2]. Os protocolos de aplicação do US usados por profissionais fisioterapeutas não dispõem de evidências biofísicas sobre sua eficácia. Assim, na prática clínica não se sabe se as temperaturas produzidas pela aplicação do US estão dentro da faixa terapêutica. O comportamento térmico dos tecidos biológicos com a aplicação do ultrassom terapêutico é uma incógnita aos profissionais fisioterapeutas e a utilização deste no tecido mamário (objeto deste estudo) não é cogitada até o presente momento, devido à insuficiência de fundamentação teórica. A mama é um órgão complexo, devido à sua composição glandular. De acordo com Kurbet [3], o termo displasia mamária traz uma conotação de pré- malignidade, portanto, atualmente emprega-se a expressão desordem benigna da mama. Para o devido tratamento, o primeiro passo é afastar a possibilidade de existência de malignidade, assegurando-se a mastalgia como causa fisiológica. Posteriormente, inicia-se o tratamento medicamentoso. A terapia medicamentosa das mastalgias segundo Sivini et al. [4] implica em fatores como efeitos colaterais significativos, custo elevado, recorrência da dor e efeito nem sempre comprovado. Portanto, o ultrassom terapêutico poderia ser uma alternativa de tratamento baseado na possibilidade de seus mecanismos fisiológicos de aquecimento proporcionarem analgesia e funcionarem como anti-inflamatório, porém não há estudos sistemáticos sobre protocolos de aplicação e sua eficácia. Na literatura, há diversos métodos de se verificar o aquecimento produzido pelo ultrassom, como, por exemplo: calorímetros com termopares [5,6], que fornecem a temperatura em alguns pontos; corpos de prova termocromáticos [7,8]; e folhas de cristal líquido termocrômicas [9], que fornecem informações qualitativas. Entretanto é inviável a aplicação destes métodos em tecido vivo devido às dificuldades técnicas, além das questões éticas envolvidas. Uma boa opção para se estudar o aquecimento por US seria a utilização de corpos de prova (phantoms) com as propriedades acústicas e térmicas semelhantes às dos tecidos biológicos e usar uma câmera infravermelha para conhecer a distribuição espacial de temperatura [10]. Este trabalho apresenta um estudo inicial com phantoms de mama aquecidos por ultrassom em níveis fisioterapêuticos, monitorados por câmera infravermelha, para analisar o padrão de temperatura gerado.