1 Trajetórias e modos de vida de jovens de espaços populares 1 Paulo Carrano (Universidade Federal Fluminense) Geraldo Leão (Universidade Federal de Minas Gerais) Este trabalho baseou-se em dados de pesquisa 2 sobre trajetórias, circunstâncias e configurações de vida de 06 jovens moradores de comunidade popular num dos morros da cidade de Niterói, Rio de Janeiro, cinco deles ex-participantes do Projeto Arte Ação Ambiental desenvolvido como “atividade extra-muro” do Museu de Arte Contemporânea (MAC). 3 O estudo procurou compreender como esses jovens circulavam e se apropriavam da cidade, levando em consideração a rede de relações sociais e práticas que contribuem para configurar o espaço social nos quais estão imersos e também suas próprias individualidades. Entre outros objetivos, a pesquisa pretendeu “ampliar o conhecimento sobre a participação de jovens pobres na constituição do espaço urbano a partir da descrição e análise de suas trajetórias de vida”. (CARRANO, 2008). Apresentaremos sínteses analíticas sobre as biografias de dois jovens participantes da pesquisa – uma mulher e um homem – com idades de 22 e 24 anos. Em um primeiro momento tecemos considerações sobre a metodologia da pesquisa. Em seguida apresentamos dados sobre dois jovens entrevistados. Por fim, fazemos algumas considerações a título de análise dos resultados iniciais da pesquisa. 1 – A metodologia da pesquisa Durante o ano de 2008, a pesquisa entrevistou cinco jovens participantes e ex-participantes do Arte e Ação desde o seu início, em 1999, e uma jovem moradora do morro do Palácio não participante do referido projeto, mas que fazia parte das redes de amizades dos jovens convidados. Esses jovens foram escolhidos a partir de uma primeira fase exploratória para identificar os primeiros jovens participantes do projeto. Foram selecionados os jovens mais 1 Comunicação apresentada no GT 23 Jóvenes, cultura y poder en las ciudades – na VIII RAM – Buenos Aires, 29 /09 a 02/10 - 2009. 2 Pesquisa “Territórios juvenis na cidade de Niterói: jovens de espaços populares e esferas públicas participativas” (FAPERJ), coordenada por Paulo Carrano (bolsista de pós-doutorado sênior do CNPq e pesquisador da Faperj). Participaram da investigação de campo a assistente de pesquisa Daniele Monteiro e os bolsistas de Iniciação Científica: Luciano Dayrell, Patrícia Abreu, Sarah Esteves e Rodrigo Costa Monteiro. 3 No decorrer do texto, o Projeto Arte e Ação Ambiental será citado como Arte e Ação e o Museu de Arte Contemporânea como MAC.