OS “LENTES” FRANCISCANOS: LACUNAS DOCUMENTAIS, DESAFIOS DE ESCALA E POSSIBILIDADE HISTORIOGRÁFICA PARA A ORDEM FRANCISCANA NO BRASIL (PERÍODO COLONIAL). RAFAEL FERREIRA COSTA 1 ; FÁBIO VERGARA CERQUEIRA 2 1 Universidade Federal de Pelotas Bolsista CAPES rafael.fe.costa@gmail.com 2 Universidade Federal de Pelotas fabiovergara@uol.com.br 1. INTRODUÇÃO Refletimos aqui sobre a aplicabilidade do método de escala micro-histórica à historiografia franciscana no Brasil enfocando os “Lentes”. A história da Ordem dos Frades Menores, de grande relevância educacional durante o Período Colonial, cerca-se de lacunas documentais. Entre os poucos registros existentes, sobressaem-se crônicas e fontes secundárias, resultando na carência de estudos e metodologias mais diversificados para lançar novas perspectivas sobre questões ainda sem resposta. Os “Lentes” eram os educadores/mestres encarregados de “ler” as lições aos futuros frades da Ordem, de disciplinas como Filosofia, Teologia e Gramática. Objetivamos apontar possibilidades da micro- história para analisar a realidade franciscana no Período Colonial. Partimos do método, apresentando alguns pontos relevantes que o envolvem, para culminar no nosso objeto de estudo, em que evidenciaremos seu potencial investigativo. 2. METODOLOGIA A Micro-História surgiu há meio século na Itália, em reação ao desgaste das pesquisas positivistas (eurocêntricas e nacionalistas) ou influenciadas pelas Ciências Sociais (quantitativas e serializadas). Em 1966, Alberto Caracciolo e Pasquale Villani dirigiram os Quaderni storici , recém-fundada revista de história social, ligada à historiografia marxista e aos Annales. Com o ingresso de novos historiadores no comitê editorial, como Edoardo Grendi, Carlo Ginzburg e Giovanni Levi, para além de questões econômicas e agrárias, a revista incorporou temas culturais, antropológicaos e do cotidiano (cf. LIMA FILHO, 2012, p. 211). Com arquivos vastos e bem organizados, os italianos puderam ultrapassar a serialização da história quantitativa e estrutural e alcançar os contextos, as redes de relações socioculturais. Em O Nome e o como” (1989), Ginzburg entende que “as linhas que convergem para o nome e que dele partem, compondo uma espécie de teia de malha fina, dão ao observador a imagem gráfica do tecido social em que o indivíduo está inserido” (PONI; GINZBURG, 1989, p. 175). Ou seja, o nome dos indivíduos é o eixo de onde partem as investigações para a construção das análises históricas. Nessa perspectiva, propomos levantar de todos os nomes dos frades franciscanos que assumiram o cargo de “Lente” para partir em direção às redes que estabeleceram. Frei Antônio de Santa Maria Jaboatão, na crônica Orbe seráfico, novo brasílico(1858), é fundamental para compreender tal rede, ao listar os frades elevados a “Lente” em conventos brasileiros entre 1596 e 1752 (cf. JABOATÃO, 1858, Vol. I, p. 340-345). 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO