798 AVANCA | CINEMA 2021 Toc Toc – a refection on the role of alterity in your aesthetic fnish Toc Toc – uma refexão sobre o papel da alteridade no acabamento estético de si Cátia Candido da Silva Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal / Universidade de Brasília, Brasil Waleska Karinne Soares Coutinho Souto Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira / Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal / Universidade de Brasília, Brasil Fabrícia Teixeira Borges Universidade de Brasília, Brasil Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é um transtorno psiquiátrico catalogado tanto no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), de 2013, quanto na Classifcação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID 11), de 2018. Caracteriza-se pela presença de obsessões e/ou de compulsões das mais variadas naturezas (Rosario-Campos & Mercadante, 2000). Conforme Torres e Smaira (2001), na maioria dos casos de TOC, há múltiplas obsessões e compulsões simultâneas, e a mudança de temas ou tipo de sintomas é muito comum entre os pacientes. Compreendem-se obsessões por “pensamentos, impulsos ou imagens mentais recorrentes, intrusivos e desagradáveis, reconhecidos como próprios e que causam ansiedade ou mal-estar relevantes ao indivíduo” (p. 06). Além das obsessões e compulsões, a presença ou o histórico de tiques também são ressaltados com um especifcador do transtorno (Araújo & Lotufo Neto, 2014). Por não existirem exames laboratorias ou radiológicos patognomônicos do TOC, seu diagnóstico é clínico e, para que seja conclusivo, é necessário que os sintomas causem interferências ou limitações nas atividades do indivíduo, consumam seu tempo (ao menos uma hora por dia) e causem sofrimento ou incômodo ao paciente ou a seus familiares. O TOC é extremamente heterogêneo e com obsessões bastante variadas, sendo as mais comuns a obsessão agressiva (apresenta-se geralmente como fobias de impulsos agressivos), de contaminação, de repetição, pensamentos obsessivos “neutros”, compulsões de verifcação, de contagem e de simetria, rituais de colecionamento (acumulação) e outros rituais diversos (sapatear, rezar, perguntar, pular). Conforme Torres e Smaira (2001), a grande maioria dos pacientes com TOC apresenta conservada a sua capacidade crítica e envergonha-se de seus pensamentos e/ou comportamentos. Por esse motivo, esta doença costuma ter seu diagnóstico e tratamento tardios, uma vez que muitos pacientes só procuram ajuda em casos de piora dos sintomas ou quando não conseguem mais ocultá-los. Geralmente o tratamento para o TOC envolve psicoterapia (individual ou em grupo) e intervenção medicamentosa, porém é mister ressaltar que, embora haja apresentações clínicas semelhantes, cada paciente reage ao problema em conformidade com a sua personalidade e com Abstract This work is a critical review of the Spanish flm “Toc Toc”, directed by Vicente Villanueva and released in 2017. The feature flm was produced from the adaptation of a homonymous play written by the French author Laurent Bafe. It is a comedy that addresses in a fun, light and unusual way the very current theme of Obsessive Compulsive Disorder (OCD). The present review carries out an analysis of the flm “Toc Toc” seeking to discuss the idea of aesthetic fnishing of itself in the light of the concepts of unfnished, alterity and exotopia proposed by the linguist Bakhtin and the assumptions of Hermans’ Dialogical Self Theory. In addition, it seeks to refect on the psychological dynamics generated from cinematographic shots in order to ponder the role of cinema in human development. Keywords: Cinema, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Alteridade, Acabamento estético de si. Introdução A linguagem cinematográfca, também conhecida como a sétima arte, além de proporcionar o entretenimento, pode suscitar refexões aos espectadores acerca das mais diversas esferas da vida, seja por meio dos temas abordados, seja pela gramática fílmica empregada. O flme “Toc Toc” pode ser citado como um exemplo desta característica do cinema. Com um nome absolutamente sugestivo, a obra aborda de uma maneira divertida, leve e inusitada a temática bastante atual do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e possibilita-nos refetir sobre como a presença do outro, da alteridade, pode contribuir para o acabamento estético de si dos sujeitos. “Toc Toc” se trata de uma produção espanhola lançada em 2017 e dirigida por Vicente Villanueva a partir da adaptação de uma peça teatral homônima escrita pelo autor francês Laurent Bafe em 2005. O flme conta a história do encontro casual entre seis pacientes, com diagnóstico de diferentes tipos de TOCs, na sala de espera do consultório de um concorrido e renomado psicólogo: o Dr. Palomero. No decorrer da trama, Federico, Blanca, Emílio, Otto, Lili e Ana Maria vivenciam inúmeras experiências e confitos que os fazem confrontar-se com seus tiques, suas angústias e seus temores e os levam a buscar soluções para os seus problemas.