>>Atas CIAIQ2015 >>Investigação Qualitativa em Saúde//Investigación Cualitativa en Salud//Volume 1 121 O papel dos avós no recasamento dos filhos The role of grandparents in the remarriage of children Emily Schuler; Cristina Maria de Souza Brito Dias Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) Departamento de Psicologia Recife, Brasil schuler.mily@gmail.com; cristina.msbd@gmail.com Resumo A família recasada provem de uma separação anterior, por parte de um ou de ambos os cônjuges, gerando uma nova união que leva à necessidade de adaptação entre seus membros. A família extensa, representada principalmente pelos avós, mostra ser imprescindível nesse momento de transição. Os avós, por possuírem mais maturidade e estabilidade, podem fornecer apoio emocional e instrumental para filhos e netos. Eles são os familiares que tendem a sentir mais as consequências do rompimento e a participar intensamente do processo de recasamento dos filhos. O objetivo geral desta pesquisa, portanto, é compreender como os avós percebem e vivenciam o recasamento de seus filhos. Até o momento foram entrevistados oito avós na faixa etária entre 48 e 86 anos. Os resultados apontam para um grande envolvimento dos avós no recasamento dos filhos, sendo imprescindível seu apoio para a adaptação dos netos à nova família. Palavras- chave Família recasada, avós, relacionamento intergeracional. Abstract Remarried family comes from an anterior separation and a new union that needs adaptation. The extended family represented especially by grandparents is fundamental in this moment of transition. Grandparents for having more maturity and stability may offer emotional and instrumental support for children and grandchildren. They are the kinship, which tend to feel more the consequences of the separation and get involved in the processes of remarriage of children. Hence, the main objective of this research is to understand how grandparents perceive and live remarriage of their children. Eight grandparents were interviewed aged between 48 and 86 years. The results pointed out a big involvement of grandparents in the remarriage, being necessary an inclusion of them in the process of adaptation to the new family. Keywords Remarried family, grandparents, intergenerational relationship. I. INTRODUÇÃO Na atualidade é possível observar que a família se diversificou apresentando uma vasta gama de novas configurações, dentre elas a família recasada. Adcox [1] enfatiza que a grande maioria das pessoas divorciadas optam mais adiante por uma nova união, caracterizando o recasamento e criando novas configurações familiares. Existem diferentes nomenclaturas (mosaico, refeita, reconstituída, mista, entre outras) para designar essa família, mas na presente pesquisa se utiliza a nomenclatura recasada, uma vez que o que caracteriza essa família é a união entre parceiros que vivenciaram uma experiência de conjugalidade anterior. Cabe ressaltar que se incluem nessa nomenclatura as uniões legais e consensuais. Observa-se que são famílias que vêm de uma separação ou divórcio anterior que requerem uma adaptação a novos contextos de convivência. Cardoso [2] afirma que o cenário da separação conjugal acaba atingindo todos os membros da família e não apenas pais e filhos. A autora continua explicando que os netos recorrem aos avós para expressarem suas opiniões ou mesmo desabafarem sobre a situação. Goodfellow [3] aponta que a partir do divórcio dos pais observa-se uma aproximação maior entre avós e netos do que em família intactas. O recasamento pode trazer muita confusão e também dificuldades na definição de papéis dos membros que irão compor a nova família [2]. Como lemos em Fernandes [4] surge uma nova a convivência entre os diversos personagens, que pode no início pode ser perturbadora, no entanto pode possibilitar uma maleabilidade nas interações, sendo também enriquecedora. Diante desse processo complexo de adaptação, o apoio oferecido pela família extensa, especialmente os avós, é imprescindível [5]. Os avós geralmente oferecem apoio aos netos no cotidiano da família e isso tende a se acentuar, especialmente em momentos de crise. Ele pode se caracterizar como emocional (dar carinho, orientação, diálogo) e instrumental (fornecer recursos econômicos, cuidar, ensinar tarefas, a cozinhar, entre outros )[6]. Após os cônjuges e seus filhos, os avós são os parentes que tendem a sentir mais as consequências do rompimento, já que se envolvem bastante no momento delicado que seu/sua filho/a está passando [6]. Por já estarem em uma fase mais estável nas suas vidas, os avós, podem oferecer uma assistência maior aos filhos, genros, noras e netos, despenhando um papel ativo durante o processo.