792 793 Tabela 3 – Diferenças de receita entre IRGA 424 e IRGA 417, nas safras de 2008/2009, 2009/2010 e 2010/2011, em Uruguaiana. Quando observamos a tabela 3 podemos visualizar que a cultivar IRGA 424 apresenta uma diferença favorável em relação à IRGA 417 quando comercializadas sobre o mesmo valor, porém quando dividimos o valor desta diferença em R$ ha -1 (item 3.3) com a produtividade média da IRGA 417 (item 2.3 da tabela 2) obtemos um coeficiente de remuneração por saco, que nada mais é do que a diferença a ser paga a mais pelo saco da IRGA 417 sobre o valor médio pago por saco da IRGA 424 ao produtor. Exemplo: em 2009/10 o preço médio pago ao produtor, em Uruguaiana, era de R$ 26,80 se usarmos o coeficiente encontrado, somando o mesmo ao preço praticado no ano, temos que o preço à ser pago pelo saco da IRGA 417 é de R$ 31,59, para compensar a produtividade inferior do mesmo. CONCLUSÃO A cultivar IRGA 424 tem apresentado uma boa rentabilidade aos produtores que a cultivam, porém o preço praticado pelo saco da mesma é inferior ao da IRGA 417 que apresenta melhores características industriais, levando muitas vezes o produtor a abandonar uma cultivar em prol da outra. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CREPALDI, S. A. Contabilidade Rural: Uma Abordagem Decisorial. São Paulo: Ed. Atlas, 1998. IRGA, Instituto Rio Grandense do Arroz. Área, Produção e Produtividade. <http://www.irga.rs.gov.br/uploads/anexos/1299787796Area_Producao_e_Produtividade.pdf> Acesso em 24 mai. 2011. SOCIEDADE SUL-BRASILEIRA DE ARROZ IRRIGADO (SOSBAI). Arroz Irrigado: Recomendações técnicas da pesquisa para o Sul do Brasil. Porto Alegre: SOSBAI, 2010. REDUÇÃO DE DENSIDADE DE PLANTIO COMO ALTERNATIVA PARA O AUMENTO DE COMPETITIVIDADE DE CULTIVARES DE ARROZ HÍBRIDO NO MERCADO GAÚCHO André Ribeiro Coutinho 1 ; Alcido Elenor Wander 2 ; Péricles de Carvalho Neves 3 ; Jaime Emille Taillebois 4 ; Michela Okada Chaves 5 ; Luciene Froes Camarano 6 Palavras-chave: arroz híbrido, competitividade, produtividade, manejo, sementes INTRODUÇÃO O arroz híbrido é cultivado no mundo desde 1976 (YUAN et al, 1994). Seu cultivo no Brasil iniciou-se em 2003, utilizando cultivares desenvolvidas pela empresa Ricetec. A pesquisa para o desenvolvimento de híbridos na Embrapa iniciou-se em 1984. A estratégia de entrada dos híbridos de arroz no mercado brasileiro tem se orientado para explorar isoladamente a sua maior produtividade potencial em relação às cultivares convencionais existentes. Por outro lado, as recomendações técnicas para o manejo de híbridos tem orientado os produtores para o uso dos mesmos índices técnicos dos materiais convencionais. No que diz respeito à densidade de plantio, observa-se a indicação de uso de uma quantidade menor de sementes do que no plantio de variedades convencionais (SOSBAI, 2010). Enquanto no Brasil as densidades indicadas variam de 40 a 50kg/ha, na China, Zhende (1986) relata que na produção de híbridos é possível trabalhar com densidades entre 15 e 25kg/ha sem haver prejuízo na produtividade. Na Índia, as recomendações técnicas indicam o uso de 15kg/ha de sementes híbridas (HYBRID RICE INDIA, 2011). A diminuição de densidade de plantio foi fundamental para a sustentabilidade do uso de sementes de arroz híbrido na China (HE et al., 1986). Este estudo teve por objetivo avaliar, de forma prospectiva, a competitividade de sementes de arroz híbridas no mercado, considerando diferentes densidades de plantio. MATERIAL E MÉTODOS Para a execução deste trabalho foi realizada uma análise de sensibilidade tendo como base os custos de produção para arroz irrigado no estado do Rio Grande do Sul levantados pela CONAB (2011) para a safra 2010/2011 e os preços praticados no mercado para a cultivar híbrida BRSCIRAD 302, da Embrapa. O valor do quilo de sementes convencionais (R$ 1,66/kg) foi extraído do website da CONAB (www.conab.gov.br) e foi utilizado para definir a quantidade de sementes utilizadas por hectare (custo total de sementes/custo do quilo da semente). Os dados foram organizados em tabelas nas quais os elementos variáveis eram a produtividade e a densidade de plantio. Para a definição dos valores utilizados na Tabela 1 foram utilizados os dados de custos de produção levantados pela CONAB em quatro localidades do Rio Grande do Sul, a saber: Pelotas, Santa Vitória do Palmar, Cachoeira do Sul e Itaqui. A partir desses dados foi obtida a média dos valores para custos de produção (“total” e “total – sementes”), densidade de plantio e produtividade. Para efeito de estudo foi utilizado o valor de R$ 19,00 para a saca (50kg) conforme cotação do dia 12 de maio de 2011 em Alegrete-RS (PLANETA ARROZ, 2011). Visando observar o comportamento de uma cultivar tradicional e de uma híbrida em 1 Relações Públicas, Mestre em Agronegócios, Embrapa Arroz e Feijão, Rodovia Goiânia-Nova Veneza, km12, Santo Antônio de Goiás-GO, CEP`70375-000, andre@cnpaf.embrapa.br. 2 Engenheiro Agrônomo, Doutor em Economia Agrícola, Embrapa Arroz e Feijão, awander@cnpaf.embrapa.br. 3 Engenheiro Agrônomo, Doutor em Melhoramento Genético, Embrapa Arroz e Feijão, pericles@cnpaf.embrapa.br. 4 Engenheiro Agrônomo, Doutor em Melhoramento Genético, CIRAD, taillebois@cnpaf.embrapa.br. 5 Engenheira de Alimentos, Mestre em Gestão e Estratégia em Negócios, Embrapa Arroz e Feijão, michela@cnpaf.embrapa.br. 6 Engenheira Agrônoma, Mestre em Melhoramento Genético, Embrapa Arroz e Feijão, luciene@cnpaf.embrapa.br.