Versão online: http://www.lneg.pt/iedt/unidades/16/paginas/26/30/185 Comunicações Geológicas (2014) 101, Especial I, 365-370
IX CNG/2º CoGePLiP, Porto 2014 ISSN: 0873-948X; e-ISSN: 1647-581X
Estimativa de modelos de velocidade obtidos através de
ensaios de refração sísmica e MASW, na localidade dos
Flamengos (Ilha do Faial, Açores)
Velocity model estimated from seismic refraction survey
and MASW, at Flamengos site (Faial island, Azores)
S. Neves
1*
, J. F. Borges
2
, J. Casacão
1
, B. Caldeira
2
, M. Bezzeghoud
2
© 2014 LNEG – Laboratório Nacional de Geologia e Energia IP
Resumo: O objetivo desta comunicação visa apresentar os modelos
de velocidades das ondas P e S obtidos através de métodos
geofísicos, tais como, método da refração sísmica e MASW (ondas
superficiais). Após a determinação dos modelos de velocidades, os
mesmos foram comparados com a litologia da ilha. Os parâmetros
geofísicos obtidos são importantes para a caracterização da estrutura
sub-superficial do solo, bem como para a simulação do movimento
sísmico.
Palavras-chave: Geofísica, MASW, Refração sísmica, Açores.
Abstract: The aim of this communication is to present the velocity
models of propagation of seismic waves P and S using geophysical
methods, such as refraction surveys and MASW (Multichannel
analysis of surface waves). After determining the velocity models,
the results were compared for the same location, with the lithology of
the island. These results provide important physical parameters used
for a near surface characterization of the soil structure and to predict
seismic ground motion in this region.
Keywords: Geophysics, MASW, Seismic refraction survey, Azores.
1
Centro de Geofísica de Évora, Universidade de Évora, Évora.
2
Centro de Geofísica de Évora, Departamento de Física, ECT, Universidade de
Évora, Évora.
*
Autor correspondente / Corresponding author: sneves@uevora.pt
1. Introdução
O arquipélago dos Açores é composto por nove ilhas
distribuídas em três grupos: o ocidental, o central e o
oriental. Do grupo ocidental fazem parte as ilhas do Corvo
e Flores; do grupo Central as ilhas do Pico, Faial, S. Jorge,
Graciosa e Terceira, e do grupo Oriental as ilhas S. Miguel
e Santa Maria.
Desde o povoamento dos Açores, no século XV,
ocorreram sismos muito fortes, causando elevados danos
materiais e perdas humanas. O último grande sismo
registado nos Açores ocorreu a 9 de Julho de 1998
(Mw=6.1) com epicentro a cerca de 16 km da cidade da
Horta e sentido com intensidade máxima VIII (MMI)
(Senos et al., 2008). O evento também foi sentido com
violência nas ilhas do Pico e de S. Jorge e causou elevados
danos materiais. No total morreram 8 pessoas, mais de 100
feridos e um elevado número de desalojados.
A ilha do Faial foi a mais atingida, com uma
percentagem elevada de construções colapsadas em várias
localidades, nomeadamente, na Ribeirinha e Pedro Miguel.
Na cidade da Horta os danos não foram muito elevados,
tendo-se observado uma intensidade de VI. No entanto, é
de salientar que na Lombega e Flamengos a intensidade foi
de VII, enquanto nas zonas limítrofes as intensidades
máximas observadas foram de V e VI, respetivamente.
Após o sismo foram realizados diversos trabalhos de
forma a caracterizar a perigosidade sísmica da ilha, como é
o caso do projeto COMICO, o qual utilizou vibrações
ambiente para caracterizar dinamicamente as camadas
superficiais na cidade da Horta (Teves Costa et al., 2008).
O objetivo do trabalho visa apresentar modelos de
velocidades de propagação das ondas sísmicas P e S,
através de ensaios geofísicos de refração sísmica e MASW
(Multichannel analysis of surface waves), de modo a
caracterizar a estrutura sub-superficial dos Flamengos.
2. Enquadramento geológico
A localidade dos Flamengos insere-se na região
geomorfológica designada Plataforma da Horta. Esta
região é normalmente constituída por uma sucessão de
lavas basálticas, intercaladas com níveis de clinker de
espessura variável, alternando com leitos piroclásticos com
dispersão restrita. Há ainda a considerar os depósitos de
piroclastos basálticos que constituem os cones de escórias
presentes na Plataforma da Horta. Trata-se de depósitos
que podem apresentar até 100 m de espessura, mas com
uma dispersão muito localizada, evidenciada pela forma do
cone. Sobre este conjunto encontram-se os materiais de
cobertura constituídos por depósitos piroclásticos com
origem no Vulcão da Caldeira. Estes materiais de
cobertura apresentam espessuras frequentemente
superiores a 2 m; no entanto, por ação da erosão, muitos
locais apresentam coberturas com espessuras inferiores.
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