26 Sucessão florestal... Rev. Univ. Rural, Sér. Ci. Vida. Seropédica, RJ, EDUR, v. 25, n. 1, Jan.-Jun., p.26-32 , 2005. SUCESSÃO FLORESTAL E GRUPOS ECOLÓGICOS EM FLORESTA ATLÂNTICA DE ENCOSTA, ILHA GRANDE, ANGRA DOS REIS / RJ SANDRO LEONARDO ALVES 1 ANDRÉ SCARAMBONE ZAÚ 2 ROGÉRIO RIBEIRO DE OLIVEIRA 3 DENISE FLORES LIMA 4 CIRO JOSÉ RIBEIRO DE MOURA 5 1. Discente do Curso de Engenharia Florestal, UFRuralRJ; 2. MSc. Prof.º Depto. Ciências Ambientais, UFRuralRJ; 3. Depto. Geografia e Meio Ambiente, PUC RJ; 4. Divisão de Estudos Ambientais, FEEMA RJ; 5. Engenheiro Florestal. RESUMO: ALVES, S. L.; ZAÚ, A. S.; OLIVEIRA, R. R. de; LIMA, D. F.; MOURA, C. J. R. de. Sucessão florestal e grupos ecológicos em Floresta Atlântica de encosta, Ilha Grande, Angra dos Reis / RJ. Revista Universidade Rural: Série Ciências da Vida, Seropédica, RJ: EDUR, v. 25, n.1, p. 26-32, jan.-jun., 2005. O objetivo deste trabalho foi a análise dos grupos ecológico-sucessionais num gradiente temporal, em região de Floresta Atlântica de encosta. Definidas quatro áreas (5, 25, 50 anos e clímax), foram delimitadas 26 parcelas em cada área, sendo amostrados todos os indivíduos com DAP> 2,5cm. As espécies foram classificadas em: pioneiras (P), secundárias iniciais (SI ), secundárias tardias (ST) e climácicas (C). Ao longo do gradiente estudado observou-se: o decréscimo das P; o aumento percentual de SI até 50 anos; a presença das ST ocorrendo significativamente a partir de 25 anos; e alto percentual de C somente no estágio sucessional avançado. Palavras-chave: sucessão vegetal, estágios sucessionais, Mata Atlântica. ABSTRACT: ALVES, S. L.; ZAÚ, A. S.; OLIVEIRA, R. R. de; LIMA, D. F.; MOURA, C. J. R. de. Successional forest and ecological groups in Atlantic rain forest, Ilha Grande, Angra dos Reis / RJ. Revista Universidade Rural: Série Ciências da Vida, Seropédica, RJ: EDUR, v. 25, n.1, p. 26-32, jan.-jun., 2005. The aim of this work is the analyses of ecological succession groups in a temporal gradient, in an area of Atlantic Forest. We defined four areas (5, 25, 50 years and climax) and 26 plots were used to sample each area; individuals with DBH>2.5cm were included in sample. Sampled species were classified into: pioneers (P), early secondary (ES), late secondary (LS), and climax (C). Along the temporal gradient it was observed the decrease of P; the increase of ES up to 50 years; a significant LS present only after 25 years; and high C percentage only on the climax stage. Key Words: successional vegetation, successional stages, Brazilian Atlantic Forest. INTRODUÇÃO A retomada da floresta sobre espaços alterados é de extrema relevância na atualidade, tanto do ponto de vista teórico quanto da sua aplicabilidade em procedimentos para recuperação de áreas degradadas. O estudo dos mecanismos de funcionalidade dos sistemas florestais representa uma importante ferramenta para a classificação, compreensão e intervenção, quando necessária, nos ecossistemas florestados. A questão do retorno funcional e estrutural da floresta secundária à madura (formação em estágio sucessional mais avançado) tem estimulado diversos autores a enquadrar as espécies vegetais em grupos sucessionais, ecológicos ou funcionais. Dentre vários estudos pode-se citar os de Budowisk (1965), Hartshorne (1980), Kageyama & Castro (1989), Martinez- Ramos (1985), Swaine & Whitmore (1988), Viana (1987), Whitmore (1990), e Kageyama & Gandara (1997) os quais, ou trataram da temática de classificação das espécies em grupos ecológicos, ou abordaram o assunto considerando processos ecológicos sucessionais em