Artigo DOI: 10.18468/pracs.2019v12n1.p09-22 PRACS: Revista Eletrônica de Humanidades do Curso de Ciências Sociais da UNIFAP https://periodicos.unifap.br/index.php/pracs ISSN 1984-4352 Macapá, v. 12, n. 1, p. 09-22, jan./jun. 2019 DO BIOPODER AO CUIDADO DE SI FROM BIOPOWER TO THE CARE OF THE SELF Debora de Sa Ribeiro Aymore 1 André Luiz Souza Coelho 2 Resumo: Nosso artigo analisa a transição de ênfase de Michel Foucault da biopolítica, relacionada às populações, para o cuidado de si. O “biopoder” está relacionado, primei- ramente, ao controle social exercido como um direito de morte do soberano sobre seus súditos e, a partir dos séculos XVIII e XIX, se operacionaliza por meio da administração dos corpos e na gestão da vida, em questões relativas à natalidade, à saúde pública e à migração. Torna-se um desiderato político-social a constituição dos corpos e mentes dó- ceis, aptas ao trabalho. No entanto, em suas obras tardias, nos últimos volumes da História da Sexualidade e suas aulas no Collège de France, entre 1980 e 1982, parte delas reunidas em A hermenêutica do sujeito, Foucault transita para uma reelaboração da ética do cuidado, que se caracteriza pelo retorno à moral greco-romana para dela reelaborar uma ética como o modo como o indivíduo se constitui a si mesmo como um sujeito moral de suas próprias ações, isto é, a ética como a relação de si para consigo. A compreensão dos processos, a prática dos cuidados em torno de si, cria rupturas com os padrões que obscurecem a nossa consciência da natureza dos modos anteriores e interiores que sustentam e orientam as instâncias mais consolidadas e localizadas no centro de nossas vidas. Palavras-chave: biopoder, Michel Foucault, cuidado de si. Abstract: Our paper analyses the Michel Foucault’s focus transition from biopolitics, related to popu- lation, to the care of the self. At first, “biopower” is related to social control exercised as life and death rights from the sovereign over its subjects and, in the 18 th and 19 th Centuries, reframed as bodies and life administration, in relation subjects such as birthrate, public health and immigration. Related to social and political goal centered on building docile bodies and minds, up to work. In Foucault’s latter works, such as the last two volumes of History of Sexuality and his classes at Collège de France, from the 1980 e 1982, partially reunited on Hermeneutics of the Self, he turns to reprocessing the care of the self, cha- racterized by the return to Greek and Roman morals, centered to reframe ethics as the means to individuals self-constitution as a moral agent responsible to its own actions, there is to say, an ethical proposal centered in one’s self. A comprehension of such developments, the praxis of self -care, breaks certain patterns that obscure our knowledge on the nature previous and internal modes that sustained and guided more conso- lidated instances centered in our own lives. Key-Words: bio-power, Michel Foucault, care of the self. 1 Professora substituta do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), colaboradora e orien- tadora no Curso de Especialização em Estudos Culturais e Políticas Públicas (Poscult/UNIFAP). Membro da Associa- ção Filosófica Scientiae Studia, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Cultura Técnica e Científica (NECTeC/ UFPR), do Grupo de Pesquisa Ética e Política (UEAP) e do Estudos Interdisciplinares em Cultura e Políticas Públicas (UNI- FAP). Orcid: http://orcid.org/0000-0003-1384-6681 2 Professor Adjunto IV de Teoria do Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)