Versão online: http://www.lneg.pt/iedt/unidades/16/paginas/26/30/185 Comunicações Geológicas (2014) 101, Especial II, 717-720
IX CNG/2º CoGePLiP, Porto 2014 ISSN: 0873-948X; e-ISSN: 1647-581X
Unidades hidrostratigráficas no Miocénico da Bacia do
Tejo na região de Almada
Hydrostratigraphic units in the Miocene of the Tejo Basin at
Almada region
M. Simões
1
, P. Legoinha
1*
.
© 2014 LNEG – Laboratório Nacional de Geologia e Energia IP
Resumo: Utilizou-se a representação cartográfica em SIGs para
extrapolar a informação geológica da superfície em profundidade,
permitindo identificar a litostratigrafia e unidades produtivas num log
de sondagem para captação de água subterrânea, na Costa de
Caparica, que atravessou as areias dunares e as unidades miocénicas
subjacentes. Cruzou-se a informação obtida com a composição
físico-química da água captada em poços, para reconhecer duas
unidades hidrostratigráficas do Miocénico, na região de Almada.
Verificou-se semelhança da fácies hidroquímica da unidade
hidrostratigráfica superior com a da água das areias dunares.
Palavras-chave: Unidades hidrostratigráficas, Miocénico, Bacia do
Tejo, Almada.
Abstract: A cartographic representation in GIS was used to
extrapolate the geological information in depth from the surface,
allowing to identify the litostratigraphy and water productive units in
a log of a well for groundwater extraction, located at Costa de
Caparica, that crossed the dune sands and the underlying miocene
units. The results were analyzed together with the chemical
composition of the water from wells to identify two
hidrostratigraphic units in the Miocene of the Almada region. A
similarity was found between the hydrochemical facies of the upper
hydrostratigraphical unit and of the dunes groundwater.
Keywords: Hydrostratigraphic units; Miocene; Tejo Basin, Almada.
1
CICEGe, Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e
Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa, 2829-516 Caparica, Portugal.
*
Autor correspondente / Corresponding author: pal@fct.unl.pt
1. Introdução
Mapas topográficos da região de Lisboa e Península de
Setúbal mostram afastamento da linha de costa após o
megassismo de 1755, colocando a descoberto extenso areal,
fossilizando a arriba litoral da Caparica (Pais, 1992). Na base
de areias dunares quaternárias, longitudinais e paralelas à
arriba fóssil, muitas vezes destruídas pela agricultura,
encontram-se unidades do Miocénico da Bacia do Tejo. Esta
faixa de terras com cerca de 200 hectares, situada entre a
Trafaria e o Pinhal do Rei, possui o maior índice de produção
de hortícolas por unidade de superfície da Europa. A
proximidade do oceano, a proteção da arriba, a regularidade
do clima e a ocorrência de águas doces corroboram nesse
sentido. No passado, antes da instalação da rede pública de
distribuição de água potável, a boa qualidade da água captada
permitiu a sua utilização no abastecimento humano.
Unidades hidrostratigráficas foram originalmente
definidas por Maxey (1964) como sendo rochas com extensão
lateral e semelhante permeabilidade, cuja composição
litológica se pode correlacionar com a composição físico-
química da água que por elas circula. Assim, com base na
composição físico-química da água de poços e de um furo
foram identificadas unidades hidrostratigráficas localizadas
nas unidades II-III e IVb-Va1-Va2 do Miocénico de Lisboa e
sul do Tejo, definidas por Ribeiro (2009).
2. Enquadramento geológico e hidrogeológico
A Bacia do Tejo teve origem na reativação de fraturas
hercínicas, na dependência das quais se formaram fossas
com orientação dominante NE-SW. Inicialmente
preenchidas por sedimentos continentais no Paleogénico,
sofreram interdigitação sucessiva de sedimentos
continentais e marinhos no Neogénico.
No Miocénico registaram-se várias transgressões e
regressões, originando intercalação de unidades líticas
fossilíferas constituídas por areias finas micáceas,
argilosas, amarelas e esverdeadas, intercaladas por
calcarenitos e argilas cinzentas esverdeadas. A
litostratigrafia de base foi definida por Cotter (in Dollfus et
al., 1903-04; Cotter, 1956) para a região de Lisboa –
“Divisões I a VII”, com valor equivalente a Formações,
continuam válidas e em uso. Foram enquadradas
cronostratigraficamente através da caraterização de 10
sequências deposicionais ajustadas à escala
geocronológica, recorrendo a datações finas obtidas com
foramíferos planctónicos, pequenos mamíferos e isótopos
de Sr. Obteve-se bom controlo cronostratigráfico e
calibrou-se o posicionamento das diferentes superfícies de
descontinuidade (Antunes et al., 2000; Legoinha, 2001;
Pais et al., 2012, 2013).
Característica marcante na geologia da região é o
Sinclinal de Albufeira, onde a sucessão miocénica, do
Aquitaniano ao Tortoniano, é observada entre a região de
Lisboa e a cadeia da Arrábida. Delimitada por discordâncias
angulares, reflecte um contexto compressivo NW-SE,
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