HOUVE UM DIALETO ÍTALO-PAULISTANO? Ci fu un Dialetto Italo-paulistano? Was There an Italo-paulistano Dialect? Rafael CesaR sCabin* Giliola MaGGio** RESUMO: Durante as primeiras décadas do século XX, começou-se a falar na exis- tência de um dialeto ítalo-paulistano ou ítalo-paulista. As referências a tal dialeto, entre- tanto, estão quase sempre ligadas a um gênero de textos cômicos publicados na impren- sa periódica paulistana, principalmente da personagem Juó Bananére. O presente artigo analisa os sentidos presentes nesse termo e como podemos entender a relação entre o falar dos imigrantes ítalo-paulistanos e essa representação estilizada. Nesse sentido, percorre-se criticamente seu uso, desde os escritores de então até os estudos históricos e linguísticos mais recentes. A base da análise são os conceitos bakhtinianos de refração, que aponta o quanto as obras ideológicas não são um simples refexo da realidade, e o de gênero discursivo, que reconduz as características formais de uma dada estilística à situação de interação social que lhe dá origem. Dessa forma, olhar para o dialeto ítalo-paulistano representado em textos fccionais como um registro documental de uma linguagem social, ignorando os processos de adequação ao gênero, distorce nossa percepção a respeito da realidade linguística dos ítalo-paulistanos. Por outro lado, as fronteiras identitárias demarcadas nesses discursos são bastante reveladoras das tensões sociais presentes no contexto da imigração italiana. PALAVRAS-CHAVE: Dialeto ítalo-paulistano; Imigração italiana; Juó Bananére. ABSTRACT: Durante i primi decenni del ventesimo secolo si è cominciato a parlare dell’esistenza di un dialetto italo-paulistano o italo-paulista. I riferimenti a un tale dialetto, tuttavia, sono quasi sempre legati a un genere di testi comici pubblicati sulla stampa periodica di San Paolo, soprattutto del personaggio Juó Bananére. In questo articolo vengono analizzati i signifcati presenti in quel termine e come si può intendere il rapporto tra il linguaggio degli immigrati italo-paulistanos e la sua rappresentazione stilizzata. A questo fne, ripercorriamo criticamente il suo uso, dagli scrittori dell’epoca ai più recenti studi storici e linguistici. Alla base dell’analisi ci sono i concetti bachtinia- ni di rifrazione, che sottolinea quanto le opere ideologiche non siano un semplice rifes- *Universidade de São Paulo (USP) rafael.scabin@usp.br (ORCID: 0000-0001-9108-8762) **Universidade de São Paulo (USP) gilimaggio@usp.br (ORCID: 0000-0003-1288-6681) DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2238-8281.v0i40p5-18