159 Um exercício que faz escola: notas para pensar a investigação educacional a partir de uma experiência de formação no Rio de Janeiro Educ. foco, Juiz de Fora, v. 20, n. 1, p. 159-176, mar. 2015 / jun. 2015 UM EXERCÍCIO QUE FAZ ESCOLA: NOTAS PARA PENSAR A INVESTIGAÇÃO EDUCACIONAL A PARTIR DE UMA EXPERIÊNCIA DE FORMAÇÃO NO RIO DE JANEIRO Walter Omar Kohan 1 Resumo O presente trabalho apresenta uma experiência prática de formação no campo da flosofa da educação realizada junto com Jan Masschelein (Universidade Católica de Louvain); Wim Cuyvers, Jorge Larrosa (Universidade de Barcelona) e Maximiliano López (Universidade Federal de Juiz de Fora), além de setenta estudantes, entre belgas e brasileiros. Situo a experiência, descrevo seu marco teórico e metodológico e analiso alguns dos trabalhos resultantes dela. O eixo central do exercício é o conceito escola, ressignifcado a partir de sua etimologia, como a materialização do tempo livre (skholé). Nesse sentido, a escola compreende quatro dimensões: separação (do tempo afrmado nos campos social, econômico e político); profanação (dos sentidos socialmente consagrados ou naturalizados); atenção (que torna o mundo interessante) e amor público (pelas coisas do mundo e o mundo como tal). Depois de tecer algumas considerações sobre o valor do exercício, apresento – apenas a título de primeira elaboração sobre o tema – o conceito de escola nômade. Palavras-chave: Escola; Pesquisa educacional; Experiência. 1 Walter Omar Kohan é Professor Titular de Filosofa da Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e do Programa de Pós- Graduação em Educação (PROPED) da UERJ. E-mail: wokohan@gmail.com