Desenvolv. Meio Ambiente, v. 44, Edição especial: X Encontro Nacional de Gerenciamento Costeiro, p. 405-421, fevereiro 2018. 405 Edição especial: X Encontro Nacional de Gerenciamento Costeiro Vol. 44, fevereiro 2018. DOI: 10.5380/dma.v44i0.54987. e-ISSN 2176-9109 Onde estão os dados para o Planejamento Espacial Marinho (PEM)? Análise de repositórios de dados marinhos e das lacunas de dados geoespaciais para a geração de descritores para o PEM no Sul do Brasil Where are the Data Needed for Marine Spatial Planning (MSP) in Brazil? Analysis of Marine Data Repositories and Geospatial Data Gaps for the Generation of Descriptors for MSP in Southern Brazil Tiago Borges Ribeiro GANDRA 1,2* , Jarbas BONETTI 2 , Marinez Eymael Garcia SCHERER 2 1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), Rio Grande, RS, Brasil. 2 Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil. * E-mail de contato: tiago.gandra@riogrande.ifrs.edu.br Artigo recebido em 31 de agosto de 2017, versão fnal aceita em 20 de novembro de 2017. RESUMO: O Planejamento Espacial Marinho (PEM) é um processo público de análise e alocação das atividades humanas no mar e se iniciou no Brasil em 2011, mas obteve avanços incipientes. A avaliação da disponibilidade de dados ambientais e de atividades humanas no mar e a identifcação das lacunas em sua distribuição espacial são etapas iniciais do PEM. Este trabalho utiliza uma lista de descritores para o PEM, analisa a disponibilidade destes em repositórios de dados nacionais e internacionais e mostra lacunas de dados na Zona Econômica- Exclusiva (ZEE) do Sul do Brasil. Os descritores necessários para o PEM foram relacionados aos temas de dados geoespaciais disponíveis na Infraestrutura para Informações Espaciais na Europa (INSPIRE) para a quantifcação da relevância de cada tema. Os temas disponíveis na INSPIRE contribuem para a elaboração de 85% dos descritores para o PEM na Europa, e os mais representativos são Zonas de Restrição, Regulação e Manejo, Regiões Marinhas, Infraestrutura Industrial e de Produção, Áreas Protegidas e Habitats e Biótopos. A Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE) contribui com apenas cinco dos 145 descritores. O Banco Nacional de Dados Oceanográfcos (BNDO) possui uma estrutura limitada, que não o confgura como sendo uma plataforma para consulta de dados, sendo apenas um repositório. Mapas de densidade kernel foram utilizados para avaliar a distribuição e detectar lacunas de dados geoespaciais. Os dados disponíveis possuem, em geral, maior concentração na plataforma continental interna (até 50 m) e apresentam descontinuidades na distribuição espacial variadas para cada tema. É importante avançar no PEM brasileiro, mesmo com os