ESCREVER PARA APRENDER, ESCREVER PARA EXPRIMIR O APRENDIDO José A. Brandão Carvalho Instituto de Educação e Psicologia / Universidade do Minho jabrandao@iep.uminho.pt Jorge Pimenta Instituto de Educação e Psicologia / Universidade do Minho jpimenta@iep.uminho.pt A escrita constitui uma importante ferramenta de aprendizagem, podendo desempenhar um papel de relevo nos processos de aquisição, estruturação e expressão de conhecimento. A posse de competências de escrita pode estar associada ao sucesso na escola, já que grande parte da comunicação que aí tem lugar assenta em suporte escrito. Muito do insucesso dos alunos não decorrerá tanto da falta de conhecimentos, mas antes da incapacidade de os verbalizar por escrito. Na presente comunicação, pretendemos analisar o modo como estudantes do ensino superior utilizam a escrita quer em tarefas de construção de conhecimento (tomada de notas de leitura, elaboração de mapas conceptuais, etc.), quer em tarefas de expressão de conhecimento (elaboração de trabalhos académicos). Para o efeito, servimo-nos de documentos produzidos por alunos dos cursos de engenharia da Universidade do Minho no âmbito de uma disciplina de Opção Cultural. Os documentos em análise correspondem a diferentes fases do processo de elaboração de um trabalho escrito baseado na informação contida num conjunto limitado de textos sobre uma dada temática sugerida pelo(s) docente(s). A posse de competências de uso da linguagem escrita constitui, inegavelmente, um requisito essencial para um bom desempenho no contexto da escola, contexto esse, aliás, onde é suposto essas mesmas competências serem adquiridas. A relevância que aí a escrita assume decorre não só do facto de a grande maioria das situações de avaliação pressupor a expressão por escrito do conhecimento adquirido, mas também do seu papel enquanto ferramenta de aprendizagem, neste caso com profundas implicações nos processos de aquisição e estruturação do conhecimento. A linguagem escrita, pelas suas características e pela natureza processual, problemática e social do seu uso, pode ser considerada um elemento facilitador da estruturação do pensamento, quer no quadro mais restrito da realização de uma tarefa específica, quer no quadro mais alargado do desenvolvimento cognitivo de um sujeito, contribuindo mesmo, de acordo com alguns autores (Applebbe, 1984; Olson, 1995), para a emergência do raciocínio lógico e formal. A escrita facilita a reflexão sobre as ideias e sobre a linguagem que no papel, ou num ecrã, se tornam concretas e permanentes. Enquanto processo cognitivo, o acto de escrever facilita a geração, a organização e o aprofundamento das ideias. Da natureza social e cultural do seu uso decorre a necessidade de enquadramento na forma de expressão adequada (géneros textuais) e a sua reestruturação pelo seu confronto com a dimensão retórica – objectivos, destinatário, etc. (Tynjala, Mason & Lonka, 2001). 1877