88 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.17 n.3, p.88 - 92, dez. 2020 Resenha: livro “The UN at War: Peace Operations in a New Era” Geraldine Marcelle Moreira Braga Rosas Duarte 1 Letícia Carvalho 2 DOI: 10.5752/P.1809-6182.2020v17n3p88 Recebido em: 14 de julho de 2020 Aceito em: 03 de agosto de 2020 1 Doutora em Geografa pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Atualmente é professora do Departamento de Relações Internacionais da PUC Minas (Belo Horizonte, MG, Brasil). ORCID: https://orcid.org/0000-0001- 8133-806X. Contato: geraldine_rosas@hotmail.com. 2 Doutora em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Atualmente é professora do Departamento de Relações Internacionais da PUC Minas (Belo Horizonte, MG, Brasil) e Editora Associada da Carta Internacional. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1786-971X. Contato: leticiacarvalho@pucminas.br. O livro de John Karlsrud (2018) represen- ta uma importante síntese das contribuições do autor para as discussões acerca das operações de paz realizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), e acompanha a tendência do debate contemporâneo sobre o assunto: o uso da força e o caráter de estabilização do pea- cekeeping. Partindo de uma visão crítica e de grande conhecimento teórico e empírico, ele demonstra que há uma lacuna crescente entre os princípios basilares – imparcialidade, con- sentimento das partes beligerantes e uso míni- mo da força – e os mandatos autorizados pelo Conselho de Segurança (CSNU) nos últimos anos, baseados em estratégias cada vez mais mi- litarizadas. Além disso, um desempenho tímido em campo, gerenciamento precário e défcit em termos de capacidades contribuem para a ex- pressiva distância entre as expectativas e a reali- dade nas operações de paz. Karlsrud (2018) de- fende, como argumento central, a necessidade de que as missões de estabilização, cujos man- datos preveem fortalecer a autoridade estatal, se transformem em operações que visam promo- ver as relações Estado-sociedade por meio do apoio à construção de Estados mais estáveis e inclusivos. A conclusão é que, para que a ONU preserve a legitimidade e seu papel de ator mais relevante na resolução de confitos armados, o peacekeeping deve ser reorientado em direção às pessoas (people-centered). Para construir este argumento, o livro é organizado em sete capítulos que analisam profundamente aspectos do peacekeeping con- temporâneo. O capítulo 1 situa o contexto de mudanças que a ONU enfrenta tendo em vista a proliferação do extremismo violento e do ter- rorismo, o que coloca novos desafos e torna recorrente o estabelecimento de mandatos ro- bustos. Para muitos, a fm de manter sua rele- vância, as operações de paz deveriam ser rees- truturadas para responder a essas ameaças, mas o autor aponta que, ao comprometer os prin- cípios basilares, esse curso de ação signifcaria Resenha 88 • Conjuntura Internacional • Belo Horizonte, ISSN 1809-6182, v.17 n.2, p.88 - 92, dez. 2020