111 As Consequências da Modernidade para o Serviço Público Simone da Gama Silveira Márcia Grisotti Introdução O conceito de modernidade refere-se ao estilo de vida, organização social e econômica que emergiram na Europa a partir do século XVII e que, posteriormente, tornaram-se mais ou menos mundiais em sua influência (GIDDENS, 1991). Ao contrário de alguns autores que caracterizam o momento atual como pós-moderno, consideramos, conforme Giddens (Idem. p. 13) que “em vez de estarmos entrando num período de pós-modernidade, estamos alcançando um período em que as conseqüências da modernidade estão se tornando mais radicalizadas e universalizadas do que antes”. Embora reconhecendo-se a existência de continuidades entre as categorias ‘tradicional’ e ‘moderno’ (ou seja, de que no período moderno encontram-se formas tradicionais), há um consenso entre autores de diversas abordagens sociológicas e filosóficas de que no desenvolvimento social moderno emergiram instituições que são diferentes e marcadas por processos de rupturas e descontinuidades, tanto em sua extensionalidade quanto em sua intencionalidade, em relação à ordem tradicional. Para fins analíticos distinguem-se duas fases relativas ao período da modernidade: uma, baseada na busca pela verdade, objetividade, instituições sólidas e de longo prazo, e outra, marcada pela diversidade e imprevisibilidade, incerteza e fluidez da história. A era Industrial se caracteriza pela introdução das máquinas, racionalização do trabalho operário, busca de maior produtividade, resultando, na maior parte das vezes, em trabalho monótono e alienante, como já foi identificado em muitos estudos sociológicos, a maior parte deles baseados nas idéias clássicas desenvolvidas por Marx. Neste contexto, a estrutura apresentada tende a ser rígida, hierarquizada, inviabilizando a criatividade e a livre expressão do trabalhador. ISSN 0104-8015 POLÍTICA & TRABALHO Revista de Ciências Sociais n. 32 Abril de 2010 - p. 13-28