A TEORIA E A PRÁTICA DOS INTELECTUAIS NO PASSADO E NO PRESENTE Diogo da Silva Roiz Doutorando em História/UFPR Professor Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul/UEMS-Amambai roizd@yahoo.com.br SAID, EDWARD W . Representações do intelectual. As conferências Reith de 1993. Ttradução de Milton Hatoum. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, 128p. O que é ser intelectual? Qual sua função na sociedade? Como se organizam e como atuam? Quais as representações que foram construídas e elaboradas sobre o (trabalho do) intelectual? Foi com base neste tipo de questionamento que Edward W. Said no final de 1992 organizou suas palestras, que formariam as Conferências Reith, proferidas em 1993 nos Estados Unidos, a convite de Anne Winder. Edward W. Said nasceu em 1935 em Jerusalém e faleceu em 2003, aos 68 anos de idade. Durante sua trajetória de vida foi um intelectual engajado, que aproveitou seu campo de estudos, em literatura comparada, para evidenciar as trocas culturais entre o Ocidente e o Oriente, e denunciar as representações que o Ocidente construiu ao longo do tempo sobre o Oriente (até como forma de elaborar sua própria identidade) e a maneira como os países desenvolvidos do ocidente exploravam (e exploram) os países subdesenvolvidos (em processo de desenvolvimento). Sua produção é extensa. No Brasil já foram traduzidos seus livros: Orientalismo (1990); Cultura e imperialismo (1995); Reflexões sobre o exílio (2003); Paralelos e paradoxos (2003, com Daniel Barenboim) e Fora do lugar (2004), livro de memórias, no qual descreveu sua formação, trajetória acadêmica, suas discussões e exílio. O seu livro Representações do intelectual foi originalmente apresentado, em 1993, como suas Conferências Reith, e lançado em 1994 com pequenos acréscimos. Apenas em 2005 foi traduzido no Brasil. Tal como foram apresentadas as conferências, em seis semanas, foi como permaneceu a divisão do livro, em seis capítulos. Já na introdução Said indica qual foi seu objetivo: Com efeito, minha tentativa nessas conferências foi, antes de mais nada, falar de intelectuais precisamente como aquelas figuras cujo desempenho público não pode ser previsto nem forçado a enquadrar-se num slogan, numa linha partidária ortodoxa ou num dogma rígido. O que tentei sugerir é que os padrões de verdade sobre a miséria humana e a opressão deveriam ser mantidos, apesar da filiação partidária do