28 AVANCA | CINEMA 2014 UPA | Utilização Pedagógica do Audiovisual Carla Sofa Freire iACT, ESECS, Instituto Politécnico de Leiria, Portugal Carlos Silva Universidade de Aveiro, Portugal Abstract In a society where we all are not only consumers, but also producers, it is important for school to track the evolution and fnd ways to maximise and optimize Information and Communication Technologies in behalf of the teaching-learning process. The audiovisual combined with education may bring benefts to students, providing signifcant learning. The project UPA | Pedagogical Use of Audiovisual consists in a training of accessible audiovisual, to higher education students, with the aim of video production to education purposes or non-proftable organizations. The UPA project is constituted by two phases, one of classroom training and another of autonomous work. In the UPA project pilot test enrolled seven students of higher education. In order to evaluate the pilot test, was used observation, analysis of the students’ work and analysis of a fnal refexion that was asked them to do. The results allowed seeing that in the frst phase, students had interest in participating in the project, feeling motivated and making team work. In the second phase, of autonomous work, there was abandonment by the majority of participants, staying only one student that accomplished the autonomous work. Although the fnal works showed some defciencies at technical and audiovisual grammar levels, the objectives were achieved and the expectancies overcome. Keywords: UPA, Audiovisual in Education, Educational Video, Video Production, Higher Education Introdução Ainda que a imprensa, no séc. XIV e a fotografa, no séc. XIX, tenham tido impacto na sociedade, afetando a forma de disponibilização da informação, o surgimento e evolução dos novos media contribuíram para uma revolução muito mais profunda, afetando todos os estados da comunicação, a aquisição, edição, armazenamento e distribuição de informação (Manovich 2001). Esta revolução trouxe grandes alterações à sociedade, onde não há “impedimento ao conhecimento e onde a comunicação ultrapassa as barreiras do espaço e do tempo” (Lisbôa, Bottentuit Junior, and Coutinho 2009, 5859). As ferramentas disponibilizadas pela WEB 2.0 permitem uma cultura da participação, onde o utilizador deixa de ser um mero consumidor, passando a ter também um papel de produtor, o chamado prosumer (Boccia Artieri 2012). Neste contexto, a forma do indivíduo viver, pensar e agir é diferente, do que era até então, sendo essencial, para que possa acompanhar a evolução tecnológica, aprender a aprender (Silva, Correia, and Lima 2010). É importante que os diferentes setores da sociedade, em particular a escola, tenham uma educação para os media, que permita o desenvolvimento de novas competências (Lisbôa, Bottentuit Junior, and Coutinho 2009), que por sua vez, possam contribuir para novas formas de trabalho colaborativo e cooperativo aumentando a participação nesta nova cultura (Boccia Artieri 2012). A escola tradicional ignora os conhecimentos informais, previamente adquiridos pelos alunos através dos media, conhecimentos estes que poderiam vir a complementar os conhecimentos formais da escola (Ferreira and Oliveira 2009). Numa cultura onde existem diferentes formas de participação, tais como novas formas de trabalho colaborativo entre profssionais e amadores, aumento de atividades cooperativas e colaborativas livres e orientadas ao utilizador e produção de novos media (Boccia Artieri 2012) existirem ambientes de aprendizagem que não incluam inovação é obrigar os alunos a saírem da imersão tecnológica em que vivem, retirando-os do seu habitat natural e obrigando-os a retroceder no tempo para aprender (Casal 2013, 6616). O vídeo, enquanto recurso de comunicação audiovisual, possibilita a assimilação de conteúdos envolvendo diferentes sentidos (Lisbôa, Bottentuit Junior, and Coutinho 2009) desde o sensorial e emotivo, ao intuitivo e posteriormente racional (Morán 1995) aproximando o aluno do dia-a-dia e facilitando a compreensão dos conteúdos (Lisbôa, Bottentuit Junior, and Coutinho 2009), sendo, desta forma, um bom aliado para a educação. A produção de vídeo pode ser uma atividade de teor educativo (Ferrés Prats 2003), seja através da produção numa determinada área de conhecimento (Morán 1995), ou através de um trabalho livre que não esteja associado a uma área específca, em que o aluno pode benefciar de um exercício de criatividade, de trabalho em equipa e de experimentação da linguagem audiovisual (Ferrés Prats 2003). A educação já contempla o audiovisual em contexto de sala de aula, no entanto este recurso normalmente funciona como um transmissor de informação (Caldas and Silva 2001) existindo alguma difculdade, por parte dos profssionais da educação, em utilizá- lo como um recurso pedagógico: seja devido a propostas de programas didáticos pouco adequados; seja por ignorância das suas potencialidades para o processo de ensino-aprendizagem (Vicentini and Domingues 2008). O audiovisual, em sala de aula, não altera signifcativamente a relação pedagógica,