REVISTA DE ESTUDIOS E INVESTIGACIÓN EN PSICOLOGÍA Y EDUCACIÓN eISSN: 2386-7418, 2017, Vol. Extr., No. 07 DOI: https://doi.org/10.17979/reipe.2017.0.07.2733 Correspondência: Ema Patrícia Oliveira, ema@ubi.pt Selección y peer-review bajo responsabilidad del Comité Organizador del XIV Congreso Internacional Galego-Portugués de Psicopedagogía Funcionamento psicológico positivo numa amostra portuguesa de estudantes Positive psychological functioning in a sample of portuguese students Ema Patrícia Oliveira*, María Dolores Merino**, Jesus Privado ** Leandro S. Almeida*** *Universidade. da Beira Interior, Portugal, ** Universidade. Complutense de Madrid, Espanha, ***Universidade do Minho, Portugal Resumo Este estudo explora diferentes recursos pessoais associados ao bem-estar e funcionamento psicológico positivo de estudantes universitários portugueses, tomando na sua análise as variáveis área de curso e género. Foi aplicada a Escala de Funcionamento Psicológico Positivo (EFPP) a 1070 estudantes de diferentes cursos. Observa-se um efeito da interação do género e área científica em 5 dimensões da EFPP. O género diferencia Autonomia, Autoestima e Otimismo (pontuações mais favoráveis nos homens), enquanto a área científica diferencia Resiliência, Autoestima, Propósito na Vida, Desfrute e Otimismo (pontuações superiores nos estudantes de Saúde). Discutem-se implicações para a intervenção no contexto do Ensino Superior. Palavras-chave: funcionamento psicológico positivo, bem-estar psicológico, ensino superior, sucesso educativo. Abstract This study explores different personal resources related to well-being and positive psychological functioning of Portuguese university students. The analysis considers the field of studies and gender. The positive psychological functioning scale (FPP) was applied to a sample of 1070 students, who were attending the 1 st and 3 rd years of different courses. The findings suggest an effect of the interaction of gender and field of studies in 5 of the 11 dimensions of FPP. Higher scores were found in men in Resilience, Self-Esteem and Optimism. The field of studies differentiates Resilience, Self-Esteem, Purpose in Life, Enjoyment, and Optimism, with higher scores in the group of students in health sciences courses. The results are discussed regarding implications for intervention in Higher Education. Keywords: positive psychological functioning, psychological well-being, higher education, academic success. O Ensino Superior, pela novidade de experiências e desafios que coloca, é um contexto privilegiado de desenvolvimento psicossocial do jovem adulto (Almeida, 2007). Este desenvolvimento expressa-se nas habilidades cognitivas, nas competências de relacionamento interpessoal, na estabilidade afetiva, no sistema de valores e na identidade e autonomia destes jovens. Numa análise mais otimista e numa valorização do papel ativo do jovem no seu próprio desenvolvimento (agência), importa identificar recursos pessoais mais diretamente associados à Psicologia Positiva e ao bem-estar dos estudantes, integrando estes aspetos no conceito alargado de sucesso académico. Apesar de se verificar alguma inconsistência na definição e avaliação do bem-estar, os estudos nesta área têm-se aglutinado maioritariamente em torno de duas abordagens, que decorrem das conceções filosóficas de hedonia e eudaimonia. A investigação em psicologia associada à hedonia tem-se centrado no bem-estar subjetivo, o qual engloba a satisfação com a vida, a presença de emoções positivas e a ausência de afeto negativo (e.g. Diener, Emmons, Larsen, & Griffin, 1985; Diener, Lucas, & Oishi, 2002). Por sua vez, a abordagem da eudaimonia associa o bem-estar ao funcionamento pleno do ser humano: a felicidade é vista como o produto de uma vida com propósito, de aperfeiçoamento contínuo e de autorrealização (e.g. Ryan & Deci, 2001; Vittersø, 2016). A avaliação deste tipo de bem-estar passa, assim, por considerar quais as potencialidades dos indivíduos que os ajudam a alcançar as suas metas pessoais e a funcionar positivamente. Tais potencialidades variam em função de diferentes modelos teóricos, não havendo uma proposta de consenso universal. O modelo multidimensional do bem-estar psicológico de Ryff (1989), um dos mais referenciados neste âmbito, conceptualiza o bem-estar em termos de funcionamento psicológico positivo e propõe seis dimensões centrais na sua estrutura: aceitação de si, autonomia, domínio do meio, relações positivas com os outros, propósito na vida e crescimento pessoal (Ryff, 1989; Ryff & Keyes, 1995; Ryff & Singer, 1996). Com este modelo Ryff procura, de certa forma, ultrapassar algumas limitações apontadas a formulações anteriores, mais centradas numa perspetiva do bem-estar afetivo a curto-prazo (i.e. satisfação com a vida, felicidade) e que negligenciam aspetos importantes do funcionamento psicológico positivo, tais como estabelecer relações interpessoais satisfatórias, ter um sentido de propósito na vida e lutar pela concretização de objetivos com vista à realização máxima do seu potencial (Ryff, 1989). Muito em conformidade com as insuficiências apontadas por Carol Ryff às conceções de bem-estar subjetivo, mais enquadradas na abordagem hedonista de felicidade, também Martin Seligman sentiu necessidade de alterar a sua original “Teoria da Felicidade Autêntica”, datada já do início deste século, para uma “Teoria do Bem-Estar” (Seligman, 2012). Esta reformulação deve- se particularmente a uma visão renovada sobre o