ISSN 2236-4994 Geog Ens Pesq, Santa Maria, v. 25, e22, 2021 • https://doi.org/10.5902/2236499444125 Submissão: 06/05/2020 • Aprovação: 12/05/2021 • Publicação: 31/ 08/ 2021 Artigo publicado por Geografia Ensino & Pesquisa sob uma licença CC BY-NC-SA 4.0. Produção do Espaço e Dinâmica Regional Espacialidades, ‘Mistanásia’ de travestis e pessoas transexuais e a criminalização da homotransfobia Spaciality, ‘Mistanasia’ of travestis and transexual people and the criminalization of homotransphobia Adelaine Ellis Carbonar dos Santos I , Marcio Jose Ornat II , Maria Aparecida Carbonar III I Universidade Estadual de Ponta Grossa / Grupo de Estudos Territoriais, Ponta Grossa, PR, Brasil II Universidade Estadual de Ponta Grossa / Grupo de Estudos Territoriais, Ponta Grossa, PR, Brasil III Fundação Universitária Iberoamericana / FUNIBER, Ponta Grossa, PR, Brasil RESUMO Este texto tem por objetivo compreender as espacialidades da morte social - mistanásia que travestis e pessoas transexuais sofrem a partir da transfobia vivenciada em diversas escalas. Nossa base de reflexão é o resultado da realização de 20 entrevistas com travestis, mulheres trans e homens trans que vivenciam ou vivenciaram os espaços educacionais de nível superior no Sul do Brasil. A partir da análise de conteúdo do discurso destas falas, evidencia-se que segundo a categoria discursiva ‘transfobia’, as principais espacialidades constituídas por esta ação de intolerância referem-se, em ordem de importância, aos espaços educacionais, ao trabalho, a casa, a igreja e ao corpo. Nossa argumentação evidencia que a vida de travestis e pessoas trans é vivida na caminhada geográfica de um longo corredor da morte, que constituída pela mistanásia, culmina na morte física, a eliminação definitiva destas pessoas. Palavras-chave: Homotransfobia; morte social, travestis; transexuais ABSTRACT This text aims to understand the social death - mistanásia, that travestis and transsexual people suffer from the transphobia experienced in multiple scale. Our reflection basis is the result of 20 interviews with travestis, trans women and trans men who experience or have experienced higher education levels in southern Brazil. From the discourse content analysis of these speeches, it is evident that from the discursive category 'transphobia', the main spatialities constituted by this action of intolerance refer, in order of importance, to educational spaces, workplaces, home, church and to the body. Our argument shows that the lives of travestis and trans people are lived on the geographical walk of a long death row,