1 VI PLE-RJ ENCONTRO DE PORTUGUÊS LÍNGUA ESTRANGEIRA DO RIO DE JANEIRO De 02 a 04 de Setembro de 2009 Promoção: UFRJ, UFF, PUC-Rio Comissão Executiva: Danúsia Torres, Norimar Júdice, Rosa Marina Meyer Comunicação apresentada a 04 de Setembro de 2009 Contributos do humor na aula de Português Língua Segunda / Língua Estrangeira Ângela Carvalho 1. Quem falou do humor e o que é. A dificuldade de definir e restringir o conceito e a necessidade de o fazer. O tema «humor» em si mesmo não é novo. Pela sua universalidade e extrema importância, muitos foram os que se interessaram pelo seu estudo, designadamente Platão, Aristóteles, Cícero, Quintiliano, Hobbes, Kant, Schopenhauer e mais contemporaneamente Bergson, Freud, Koestler, Raskin e Attardo. A sua relevância levou a que tenha sido frequentemente objecto de estudo de diversas áreas, tal como da Psicologia, Sociologia, Antropologia, etc. Daqui se pode aferir o carácter complexo do fenómeno em análise e a necessidade de o abordar numa óptica transdisciplinar. O termo humor, derivado do vocábulo latino umor que se começa a relacionar com a comicidade apenas no século XVII (na Europa), esteve durante muito tempo associado à teoria de Hipócrates que definia o temperamento humano segundo a predominância do sangue, da linfa, da bílis amarela ou da bílis negra (daqui o humor negro), sendo que esta categorização dava origem a quatro tipos de temperamento diferentes: o “sanguíneo”, o “fleumático”, o “colérico” e o “melancólico”. Mas actualmente falar de humor é falar de um conceito pouco delimitado, e bastante flexível, abarcando no fundo tudo o que faz rir. Segundo Isabel Ermida, “objecto de estudo tido como escorregadio e traiçoeiro, o humor tem- se confrontado desde longa data com uma tendência agnóstica que muitos autores acusam mas fomentam” (Ermida, 2002: 26). Convém, todavia, distinguir bem esse conceito de outros como ironia, cómico ou sátira.