Seleções de Ameixeira com Resistência Total a Xylella Fastidiosa Marco Antonio Dalbó 1 , Emilio Della Bruna 2 , Luciano Saifert 3 , Rubens Onofre Nodari 4 Resumo Este trabalho foi realizado com o objetivo de identificar genótipos de ameixeira (Prunus salicina) que não são infectados por Xylella fastidiosa e, consequentemente, apresentam resistência total à doença escaldadura das folhas, causada por essa bactéria. O ponto de partida foi a descoberta, dentro do programa de melhoramento da Epagri - Estação Experimental de Videira, SC, de um genótipo de ameixeira (seleção 97-38-2-31) que é aparentemente imune a doença. Foram analisados indivíduos descendentes da seleção 97-38-2-31, como a SC13, que apresenta comportamento semelhante a campo, e outros genótipos resultantes do programa de melhoramento que não tem apresentado nenhum sintoma da doença. No caso das seleções 97-38-2-31 e SC13, foram também avaliadas plantas sobre-enxertadas com ramos de outras cultivares sabidamente infectados. A avaliação da presença de Xylella fastidiosa nos tecidos foi feita através de teste de diagnose por PCR com iniciadores específicos para Xilella, a partir de DNA extraído de pecíolos com kit de extração de DNA baseado em sílica. Não foi detectada a presença da bactéria na seleção 97-38-2-31, mesmo em plantas sobre-enxertadas com material contaminado. Já no caso da SC13, o material não enxertado manteve-se isento da bactéria, porém os resultados foram positivos quando houve sobre-enxertia. Aparentemente, não ocorre transmissão da bactéria por vetores, mas é possível de ser feita por enxertia. Também não foi diagnosticada a presença da bactéria em alguns genótipos resistentes não aparentados da sel. 97-38-2-31, abrindo a possibilidade de serem encontrados outros materiais com grau de resistência semelhante. Introdução O problema central para o cultivo da ameixeira no Brasil é a escaldadura das folhas, causada pela bactéria Xylella fastidiosa. Esta doença infesta os vasos das plantas, e é transmitida por insetos (cigarrinhas), causando o definhamento e morte de plantas suscetíveis. Entre os anos de 1975 e 1982, o aparecimento desta doença dizimou cerca de 90% dos pomares de ameixeira do estado de Santa Catarina (Ducroquet & Mondin, 1997). Embora exista a alternativa de plantio de mudas isentas da bactéria, o risco de reinfestação é grande em regiões próximas a áreas contaminadas, o que faz com que muitos pomares tenham tempo de vida útil bastante reduzido (Ducroquet et al., 2001). A maioria das cultivares comerciais de ameixeira são altamente suscetíveis. Existem cultivares resistentes, como Carazinho, Sanguínea, Chatard e Piamontesa, porém estas apresentam baixa qualidade de frutos. Estas cultivares tem origem em material genético da região do Delta do Paraná, Argentina, onde inicialmente foi identificada a presença da doença na América do Sul (Fernandes-Valiela e Bakarcic, 1954). São também fonte de resistência utilizada atualmente em programas de melhoramento genético visando obter novas cultivares resistentes e com melhores características agronômicas. Recentemente, foi encontrado um material (97-38-2-1) que aparenta ser imune a Xylella fastidiosa. Trata-se de uma seleção obtida no programa de melhoramento genético da Epagri, originada do cruzamento Leticia x Piamontesa. Os resultados de testes de diagnose de Xylella por PCR tem sido sempre negativos para esse genótipo, ao contrário de todas as fontes de resistência até agora encontradas. Essa descoberta abriu a possibilidade de se encontrar outros materiais com características semelhantes, o que elevaria as expectativas dos programas de melhoramento desta espécie a níveis não imaginados anteriormente. Um exemplo é a seleção SC13, resultante do cruzamento 97-38-2-31 x Fortune, que apresenta um nível de resistência semelhante, porém com melhor qualidade de fruto. Em função disso, buscou-se identificar outros materiais que não são infectados por X. fastidiosa através de testes de diagnose desta bactéria baseados em PCR com DNA obtido a partir de kits de extração com base em sílica, os quais tem proporcionado maior segurança nos resultados (Dalbó et al., 2005). Material e Métodos 1 Pesquisador da Epagri – Estação Experimental de Videira, SC. e-mail: dalbo@epagri.sc.gov.br 2 Pesquisador da Epagri – Estação Experimental de Urussanga, SC. e-mail: emilio@epagri.sc.gov.br 3 Estudante de Graduação em Agronomia. Centro de Ciências Agrárias-UFSC/Florianópolis. e-mail: lucianosaifert@hotmail.com 4 Professor do Centro de Ciências Agrárias-UFSC/Florianópolis. e-mail: nodari@cca.ufsc.br.