a s alterações climáticas, a segurança nacional e a dependência de energia são ques- tões intimamente inter-relacionadas. No século xxi, as nações têm de desenvol- ver estratégias de autonomia energética baseada em sistemas sustentáveis para cons- truírem economias mais competitivas e menos expostas às turbulências geopolíticas. Neste contexto, a segurança energética subiu para o topo da agenda dos responsáveis políticos, organizações internacionais e empresas. O crescimento sustentado da procura de energia a nível do planeta levanta sérias preocupações sobre a disponibilidade a longo prazo de fornecimento fiável e acessível. Conflitos e tensões geopolíticas em algumas das principais regiões fontes de matérias-primas para a produção de energia representam um risco de curto prazo de fornecimento, bem como obstáculos para os tão necessários inves- timentos no sector. Estrangulamentos no transporte e outras limitações na infra-estrutura de energia representam ameaças adicionais para um fornecimento confiável e acessível. Com efeito, as alterações climáticas actuam como um multiplicador de ameaças de ins- tabilidade em algumas das regiões mais voláteis do mundo. Muitos governos na Ásia, na África e no Médio Oriente já estão no limite em termos da sua capacidade de pro- videnciar as necessidades básicas: alimentação, água, abrigo e estabilidade. A mudança climática projectada irá exacerbar os problemas de governação eficaz. Com efeito, a dependência de petróleo estrangeiro coloca um país mais vulnerável a regi- mes hostis e a terroristas. Por outro lado, o investimento em fontes alternativas de energia domésticas e limpas não só ajuda a enfrentar o desafio sério da mudança climática global, como aumenta a autonomia energética de forma sustentável. Como as questões estão interligadas, gerar a solução para um problema tem implicações directas nos demais. A LIGAÇãO ENTRE A AUTONOmIA ENERGÉTIcA, A SEGURANÇA ENERGÉTIcA E AS ALTERAÇõES cLImÁTIcAS A mudança climática resulta de emissões antropogénicas de gases com efeito de estufa (gEE). O sector da energia é de longe a principal fonte de emissões em todo o mundo. As opções políticas para reduzir as emissões associadas à energia consistem na melhoria da eficiência AmÉRIcA LATINA: SITUAÇãO E PERSPEcTIVAS Uma autonomia energética sustentável para Portugal mitigar as alterações climáticas desenvolvendo segurança económica Ruben Eiras relações internacionais março : 2010 25 [ pp. 119-136 ] 119