ECOS ITALIANOS NA POESIA DO ABADE DE JAZENTE FRANCISCO TOPA Universidade do Porto ftopa@letras.up.pt Não é objectivo desta breve comunicação detectar a influência de poe- tas italianos sobre Paulino António Cabral (1719-1789), uma figura comple- xa e interessante do setecentismo literário português mas que tem sido pou- co valorizada e cuja obra está mal editada e insuficientemente estudada. O meu propósito é mais modesto: trata-se apenas de elencar as referências italianas presentes nos seus versos, o que permitirá também chamar a aten- ção para um aspecto muitas vezes esquecido da renovação cultural que, sob o signo das Luzes, decorreu no Norte do país, concretamente em Braga, sob a orientação do arcebispo local, D. Gaspar de Bragança. Aberto à influência das Luzes e do neoclassicismo mas deleitando-se ainda com o ludismo e com uma certa exuberância barrocas, o Abade de Jazente é um homem do seu tempo, alterando entre tons e registos variados, familiares e políticos, joviais e graves, baixos e altos. Observador atento dos costumes, Paulino Cabral foi um crítico impla- cável das transformações, denunciando a influência francesa na língua e nos comportamentos. Mas há pelo menos um caso em que a decadência dos modos — neste caso traduzida na banalização de certas fórmulas de trata-