61 Sobre a crítica dialética da Utopia de Thomas More: um livro proibido? RAFAEL EGIDIO LEAL E SILVA * Qual será, para nós, deste fim-de-século, nosso outro lugar, se todo o planeta já está inteiramente mapeado, se já conhecemos os mínimos recantos da menor dobra da Terra? Onde encontrar aquele nenhum lugar no qual e a partir do qual poderíamos edificar uma outra sociedade, construir uma nova cidade? Não haverá mais zonas a desbastar ou decifrar? Surpresas a se esperar de alguma aventura? Ou os lances se dão apenas na delimitação de um espaço sem nome? Referem-se mais ao tempo? Não deveria a utopia mesclar-se à u- cronia, não no sentido de uma ficção científica que nos projetasse séculos atrás ou a milhares de séculos adiante, em um “não-tempo” ou em um “fora do tempo”, mas sim em um lugar em que se combinassem diferentes tempos e nos fosse permitido deles sair ou imprimir-lhes o ritmo por nós desejado? (Paquot, 1999, p. 14). Resumo: O presente texto tem por objetivo discutir a dialética da Utopia. Sabe-se que esta obra foi inspirada na República de Platão, e foi citada no O capital de Marx. No entanto, um estranho silêncio se faz sobre seus 500 anos, além de sua leitura pouco ser incentivada. Qual é o perigo da Utopia? Esta é a discussão que pretendemos realizar. Palavras-chave: Utopia; Dialética; A República; O Capital. Abstract: This paper aims to discuss the dialectic of Utopia. It is known that the work was inspired by Plato's Republic, and was quoted in Marx's Capital. However, a strange silence is over its 500 years, and reading just be encouraged. What is the danger of Utopia? This is the discussion we want to achieve. Key words: Utopia; Dialectic; The Republic; The Capital. * RAFAEL EGIDIO LEAL E SILVA é Mestre em Psicologia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM); Docente RSC-III do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico no Instituto Federal do Paraná - Campus Umuarama.