Página | 29 Cadernos Letra e Ato, ano 4, nº 4 Folguedo e teatro: onde termina um e começa o outro? Larissa de Oliveira NEVES 8 Resumo: Este artigo apresenta algumas reflexões sobre as semelhanças e diferenças entre os folguedos brasileiros e o teatro. Em seguida, comentam-se as possibilidades para o teatro formal quando opta por pesquisar os folguedos para a construção de um espetáculo, exemplificando com O juiz de paz na roça, de Martins Pena. Palavras-chave: teatro brasileiro; cultura popular, Martins Pena. Folclore Folclore, segundo Câmara Cascudo (1898 - 1996), “é a cultura popular, tornada normativa pela tradição” (2002, p. 240). A cultura popular (não erudita), por ser popular, abarca um coletivo: a cultura do povo nunca é individualista, embora possa ser manifestada por um indivíduo. O folclore designa uma parte da cultura popular que indica aquela produzida pelo povo, e não para o povo – não a cultura de massa ou a arte realizada com base no folclore. Com o tempo, a cultura de uma coletividade, do povo, adquire certas regras, ou normas, que se repetem. Mas, ao mesmo tempo, essa repetição não significa estagnação, como o próprio folclorista adverte: O folclore inclui nos objetos e fórmulas populares uma quarta dimensão, sensível ao seu ambiente. Não apenas conserva, depende e mantém os padrões do entendimento e da ação, mas remodela, refaz ou abandona elementos que se esvaziaram de motivos ou finalidades indispensáveis a determinadas sequências ou presença grupal. (CASCUDO, 2002, p. 240). 8 Professora de dramaturgia e história do teatro brasileiro do Departamento de Artes Cênicas, da Unicamp. E-mail: larissa@iar.unicamp.br