O Público e o Privado · nº 40 · set/dez · 2021 73 “Minha carne não me defne”: a hipersexualização da mulher negra no Brasil “My meat does not defne me”: hypersexualization of black woman in brazil Nádia Amaro do Carmo 1 , Ozaias da Silva Rodrigues 2 1.Bacharela em Serviço Social pelo Centro Universitário Faculdade Maurício de Nassau – Fortaleza. https://orcid.org/0000-0002-2121-4222 nadiamaro2014@gmail.com 2. Doutorando em Antropologia Social no PPGAS da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). https://orcid.org/0000-0003-2834-4318 ozaiasufc@gmail.com Resumo: O artigo realiza uma discussão a respeito da hipersexualização da mulher negra brasileira. Esta pesquisa objetiva uma refexão sobre as construções históricas do papel de mulheres negras no Brasil, consideradas como mero objeto sexual, negando a ocupação de outros lugares na sociedade que não aqueles vinculados ao exercício da sexualidade ou do trabalho compulsório. Além deste lugar naturalizado, as estatísticas apresentam situações que se perpetuam quando estas assumem outros espaços sociais, como a condição salarial, por exemplo, abaixo da que a mulher branca recebe e, que também é inferior à recebida por homens. Sua cor aponta o lugar social, mas também justifca uma sexualidade para atendimento das necessidades do outro. Porém, este lugar que vem sendo desconstruído a partir de outros olhares, repensados pelos movimentos sociais e por uma ciência que considera as diferentes formas de expressão da vida humana. Assim, o objetivo geral do trabalho é analisar os processos de hipersexualização e resistência da mulher negra no Brasil. Para