Revista Brasileira de Geografia Física 03 (2010) 18-22 Nóbrega, R.S. 18 Revista Brasileira de Geografia Física Homepage: www.ufpe.br/rbgfe Um pensamento crítico sobre classificações climáticas: de Köppen até Strahler Ranyére Silva Nóbrega 1* 1 Prof. Adjunto Departamento de Ciências Geográficas da UFPE. Artigo recebido em 14/05/2009 e aceito em 18/06/2010 R E S U M O O presente artigo tem como objetivo fazer uma revisão literária a cerca de quatro classificações climáticas de maneira a lançar um pensamento crítico sobre os métodos utilizados por Köppen, Miller, Thornthwaite e Strahler em seus sistemas de classificação climática, como os limites utilizados e os fatores verdadeiramente ativos. Ao analisar o levantamento bibliográfico, o pensamento corrobora o esperado, pois, de fato é difícil encontrar uma classificação climática que possa ser considerada satisfatória. No entanto, a aplicabilidade destes sistemas tem sua importância em todas as áreas das ciências, desde as classificações antigas (que vem sendo reelaboradas ao longo do tempo) até as mais atuais, levando-nos a entender que há a necessidade de conhecer, não apenas o sistema e seus resultados, mas as suas limitações e falhas. Palavras-chave: Classificação climática, Köppen, Thornthwaite, Strahler, Miller. A critical thinking about climate classifications: from Köppen to Strahler A B S T R A C T This article objective to review the literature about four climatic classifications in order to initiate critical thinking about the methods used by Köppen, Miller, Thornthwaite and Strahler in their systems of climatic classification, the limits used and the factors truly assets. When analyzing the literature, thought confirms the expected, since in fact it is difficult to find a climate classification that can be considered satisfactory. However, the applicability of these systems has its importance in all areas of science, since the older classifications (which has been reworked over time) to the most current, leading us to understand that there is a need to know not only the system and its results, but its limitations and failures. Keywords: Climate classification, Köppen, Thornthwaite, Strahler, Miller. Introdução A importância nos sistemas de classificações climáticas (SCC) se deve ao fato de que é possível analisar e definir os climas de diferentes regiões levando em consideração elementos climáticos diferentes ao mesmo tempo, otimizando a troca de informações e análises posteriores para diferentes propósitos. Os pesquisadores no domínio do mesoclima sempre se preocuparam com a questão de classificar os macroclimas. Segundo El Tom (2003), a complexidade das dificuldades envolvidas exigiu a adoção de várias abordagens e técnicas distinta e, portanto, resultou na presença de vários sistemas de classificações climáticas. De modo geral, tem-se observado que os critérios utilizados nos principais sistemas variam entre a precipitação, temperatura, vegetação e massas de ar, sejam como variáveis independentes ou como diferentes combinações. Por vezes, os Sistemas de Classificações Climáticas (SCC) são abordados didaticamente, sobretudo em disciplinas do curso de geografia e meteorologia. Agora nota-se que o emprego destes sistemas continua em evidência e não nestas áreas citadas, mas, de um modo geral, desde as ciências naturais e humanas até à saúde, cruzando informações climáticas e endemias, por exemplo. Muitos pesquisadores têm utilizado os sistemas rotineiramente de maneira bem particular para seus objetivos. McMahon et al. (1992) e Pell et al. (2004) utilizaram SCC como base para o agrupamento de rios, por tipos de clima em torno de todo o globo, a fim de facilitar as comparações das características do escoamento superficial. Já Lohmann et al. (1993) aplicaram a classificação de Köppen em saídas de modelos de circulação geral da atmosfera e modelos acoplados oceano-atmosfera e compararam os mapas * E-mail para correspondência: ranyere.nobrega@ufpe.br (R. S. Nóbrega).