RELEM – Revista Eletrônica Mutações, julho-dezembro, 2020
©by Ufam/Icsez
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CONSIDERAÇÕES SOBRE O ENSINO REMOTO NO PROCESSO EDUCATIVO
AMAZÔNICO EM FUNÇÃO DA COVID-19
Isaías dos Santos
1
Noélio Martins
2
Jalna Gordiano
3
RESUMO:
A pandemia mais cruel dos últimos cem anos modificou, instantaneamente, a vida de todos. Em meio a isso veio
à tona problemáticas de todas as esferas sociais que se encontravam camufladas, maquiadas. Todas as atividades
presenciais necessitaram de suspensão em meio ao espalhamento viral, como uma forma de contenção. As
instituições escolares fecharam suas portas, mas precisavam dar continuidade ao processo educativo. O ano de
2020 foi atípico e diversos relatórios, como o do Banco Mundial (2021) e UNESCO (2020), alertaram que essa
atual crise atual da educação é silenciosa e a mais cruel — uma vez que os seus danos tendem a calhar em longo
prazo. Pensando esse contexto, surge a necessidade de investigar cenários da educação na Amazônia Brasileira a
fim de mostrar — através de relatos de alunos e professores — a profundidade desse déficit do método adotado na
práxis educacional: o ensino à distância. Esse estudo se torna proeminente porque averigua e propõe que a
Amazônia, por ser um universo à parte, necessita de um olhar denso e ações profundas para vivenciar uma
educação refém da equidade. A pesquisa é exploratória, descritiva, de caráter qualitativo e fundamenta-se numa
analise bibliográfica e etnográfica, versando caracteres de cenários educativos para o pós-pandemia e no próprio
contexto. O embasamento teórico e a construção de analise são respaldados a partir de Santos, Vasconcelos e
Albuquerque (2020); Severino (2008); Bardin (2009); Delors (2001); Zhou, L. et al. (2020); Credo (2019);
Banerjee et al. (2007); Campuzano et al. (2009); Kenski (2012); Velanga et al. (2014).
Palavras-chave: SARS-cOV-2; Amazonas; Práxis Educativa; Ensino Remoto; Desigualdades.
1. Introdução
A Amazônia é morada de encantos, mistérios, lendas, contos e narrativas de povos
tradicionais e ameríndios. Abriga vastidão de culturas, cosmologias, amazonidades,
consaguinidades e um bioma afortunado em fauna e flora. É um universo único. Infelizmente,
a esse cenário extravagante somou-se a crise sanitária e da saúde, gerando uma explosão de
casos e mortes a esses sistemas. Concomitante, educandos e professores sofreram perdas
significativas, algumas delas irreversíveis em decorrência do negacionismo científico. E
enfrentando ações de megaempresas, de obscurantistas e da extrema-direita de viés fascista,
permanecemos assistindo a uma fileira de medidas de flexibilização de normas de segurança
sanitária, sem a devida universalidade da vacina e um bom trabalho de distanciamento social
preventivo.
Educandos e professores sofreram e sofrem pelo desmanche que o Ministério da
Educação e todo o sistema técnico-educacional, além de acadêmico-científico, passam por
1
Mestre em Ciências da Educação – Saint Alcuin Of York Anglican College/CHILE.
2
Doutor em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM; Professor do Instituto Federal do Amazonas – IFAM.
3
Bacharel em Serviço Social – UNINORTE.