Português como Língua Estrangeira: múltiplos olhares, v. 9, n. 3. ago-dez/2021 212 A discriminação e o preconceito linguísticos no português brasileiro e outras línguas: sugestões e recomendações* PALAVRA-CHAVE: Preconceito; Discriminação; Português Brasileiro; Civilização; Barbárie; Correção de erros Revista Diálogos (RevDia) Qualis B2 Paul O’Neill 1 paul.oneill@sheffield.ac.uk Gladis Massini-Cagliari 2 gladis.massini-cagliari@unesp.br *Este texto é uma tradução autorizada em português de um artigo publicado em inglês no Journal of Language and Discrimination. ¹ Professor da Universidade de Sheffield, Reino Unido. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9152- 527X 2 Professora Titular da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara (FCLAr/UNESP). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4050-7645 R E S U M O: Neste artigo, fazemos uma distinção entre o preconceito e a discriminação em relação a (a) línguas diferentes e seus falantes (b) diferentes variedades não padronizadas da mesma língua e seus falantes, e argumentamos que, embora a discriminação e o preconceito em relação a (a) tenham sido denunciados por instituições internacionais e existam leis nacionais e internacionais para garantir os direitos de falantes de línguas diferentes, a mesma proteção não foi concedida a falantes de variedades não padronizadas de uma língua. Examinamos um caso específico desse tipo de preconceito linguístico no Brasil. Discutimos a eficácia dos esforços dos linguistas para combater o preconceito linguístico com base no princípio da correção de erros (Labov 1982) e, com base nos trabalhos de Cameron (2012c) e Bourdieu (1986), sugerimos que o preconceito linguístico não pode ser desvinculado de outros tipos de preconceito e que os linguistas precisam ter uma compreensão muito mais profunda dos valores que a sociedade associa às formas linguísticas. Concluímos com uma série de sugestões e recomendações para combater mais eficazmente o preconceito linguístico.