XIII Encontro Nacional de Educação em Ciências Actas Concepções dos professores de Ciências da Natureza e Ciências Naturais de uma Escola Básica com 2º e 3º Ciclos sobre o papel da escola e da Educação em Ciências na Educação Sexual dos adolescentes Maria do Céu Caridade 1 ; Teresa Vilaça 2 1 Escola EB2,3 de Cabeceiras de Basto, 2 Universidade do Minho 1 ceucaridade@iol.pt; 2 tvilaca@iep.uminho.pt Resumo A educação sexual na comunidade escolar integra uma grande variedade de actores, sendo tradicionalmente os professores de Ciências as pessoas chave na sua implementação. Há diferentes pontos de vista relativamente a quem é responsável pela educação sexual e sobre como deverá ser desenvolvida a sua abordagem pedagógica. Como consequência, o objectivo desta investigação é compreender como é que os professores de Ciências se posicionam face ao papel que a escola, em geral, e a Educação em Ciências, em particular, devem assumir na educação sexual nos 2º e 3º ciclos do ensino básico. Este estudo, de natureza qualitativa, envolve todos os professores de Ciências de uma escola EB2,3 (n=12). Os dados recolhidos através de uma entrevista semi- directiva, mostram que os entrevistados têm uma atitude positiva face a projectos de ES compreensivos, estabelecem objectivos principalmente relacionados com o conhecimento biológico e reconhecem o papel chave da Educação em Ciências na ES, embora a conceptualizem como uma área transversal. Estes resultados sugerem, entre outros aspectos, a necessidade de promover a formação de professores de Ciências em ES orientada para o desenvolvimento de atitudes e valores. Introdução A educação sexual é uma vertente da educação que engloba componentes biológicas, psicológicas, éticas e culturais, as quais têm de fazer parte, obrigatória, de qualquer programa de educação sexual a implementar em meio escolar (Lópes, 1990; Zapian, 2002; 2003; Vilaça, 2006). Há quem reconheça que no actual sistema educativo português, a implementação da educação sexual numa só disciplina traria as vantagens de conseguir-se uma abordagem disciplinar específica e não haveria necessidade de exigir formação nesta área a todos os professores. Por outro lado, uma abordagem transversal que envolva as várias disciplinas e as áreas curriculares não disciplinares, encontra muitos adeptos entre os especialistas da área e até no próprio meio escolar, dado ser mais congruente com a temática da sexualidade, a qual exige o contributo de várias áreas do conhecimento (Vaz, Vilar & Cardoso, 1996). Também a actual legislação contempla uma abordagem que envolva, de forma sistematizada, todas as componentes que a escola possui, 861