597 Capítulo II – Cinema – Cinema LGBT representativeness in an animated short-flm Representatividade LGBT em curta-metragem animado Alexia Silva da Silveira Araujo Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil Monica Stein Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil Abstract The following article discusses the production of an animated short flm with an LGBT theme. It explores the reasons that justify the production of a short flm that promotes the representation of this community, as well as accompanying the full production of an animated short flm, from pre-production, production, to post-production. The objective of this project is to show social benefts to the society behind the representation of a minority, through an animated flm work. For the conception of this project, the author developed a narrative that focuses on LGBT representativeness using a production methodology for the realization of the short flm. Keywords: Animation, LGBT representativeness, Audiovisual, LGBT community, Short-flm. Introdução Para a Academia de Artes e Ciências Cinematográfcas dos Estados Unidos (2020, tradução da autora), em suas regras para defnir que flmes podem concorrer ao Oscar, curta-metragem é defnido como “flme de até 40 minutos, incluindo créditos“. Em uma época tão tecnológica em que a sociedade vive, os materiais de rápido consumo tem a preferência das pessoas que estão conectadas nas redes e buscam informação compacta e efciente. Em entrevista à TV Brasil, a diretora brasileira Lívia Perez destacou que “os curtas permitem que temas mais urgentes da sociedade e do mundo sejam comunicados de forma rápida” (PEREZ, 2017). Dessa forma, os curtas-metragens podem ser vistos como uma alternativa em potencial para gerar impacto social e apresentar ideias progressistas e latentes na sociedade em que se vive, já que, com a sua abordagem prática, pode promover uma profunda refexão nos telespectadores, apurando seu senso crítico e sensibilidade. Conforme foi apresentado no CD ROM Trajetória do curta brasileiro, flmografa 1986-96 (SELIGMAN, 1997), “o curta-metragem é um formato bastante difundido e em expansão no Brasil desde os anos 70”. Ainda que haja muitas animações em longa-metragem, o gênero é mais abundante em curtas-metragens. Inclusive, um dos festivais mais populares no país é o Anima Mundi, festival esse em que diversos curtas animados são apresentados nas mostras e que, além disso, dão prêmios para as melhores produções. Cada vez mais a animação se populariza entre pessoas de todas as idades, e essa é uma boa oportunidade para gerar conteúdo crítico. Embora a animação tenha como público-alvo o público infantil, ela não se limita apenas a essa esfera. Em entrevista ao jornal Hoje em Dia, o criador da webserie Girls in The House, Raony Phillips, diz que “é possível que a maior quantidade de conteúdo disponível seja um dos motivos para que interesse por séries animadas esteja crescendo entre o público adulto” (PHILIPS, 2018). Existem animações muito populares como a série clássica Os Simpsons, e como mais recente a série Rick e Morty que são animações focadas no público adulto. Um dos principais temas da atualidade é o preconceito. A sociedade deu um grande passo ao reconhecer alguns direitos para o público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais), muito embora ainda esteja distante de uma sociedade mais justa e igualitária para todos. Nesse sentido, pode-se difundir a ideia de igualdade através dos curtas, especifcamente no gênero da animação, que pode atingir pessoas de todas as idades. Produzir um curta que promova representatividade é, entre muitas coisas, promover o bem estar de pessoas que se sentem inadequadas na sociedade. É diminuir as chances de que pessoas da comunidade LGBT desenvolvam depressão e outros problemas emocionais. Dentro desse contexto, a autora, sob orientação da professora doutora Mônica Stein, desenvolveu um curta-metragem animado como projeto de conclusão de curso de Animação na Universidade Federal de Santa Catarina, que aborda a representatividade LGBT, buscando a representação de outras formas de amor que não estejam dentro das formas tradicionais. Sua criação e produção serão descritas nos próximos tópicos. Desenvolvimento A representatividade LGBT em animações tomou força nos últimos anos, se compararmos ao fm do século 20, onde essa representatividade era quase nula no ocidente. De acordo com Carvalho (2017, p 40), “até 1990 toda e qualquer representação de grupos LGBT em animações fcava no pensamento do indivíduo. Nunca tendo um objetivo claro de debater o tema ou afrmar a existência desse grupo”. Algumas séries infantis incluíram personagens da comunidade, como Marceline e Princesa Jujuba na série Hora de Aventura, a personagem Amity em The Owl House, Asami e Korra em The Legend Of Korra, entre outros. Uma das séries animadas mais famosas pela representação LGBT é Steven