https://doi.org/10.22409/gragoata.v25i53.43068 1131 Gragoatá, Niterói, v.25, n. 53, p. 1131-1155, set.-dez. 2020 Línguas e outros mecanismos: uma leitura descolonial sobre os códigos da modernidade Edgar Cézar Nolasco ª Tiago Osiro Linhar ª Resumo Este trabalho propõe uma leitura descolonial acerca da função das línguas modernas na consolidação de paradigmas eurocêntricos impostos ao mundo. Para tanto, partiremos de impressões pessoais (lançando mão da teorização da crítica biográfca fronteiriça) sobre a língua portuguesa falada em âmbito fronteiriço. Em seguida, abordaremos o discurso classifcatório que serviu para “inventar” categorias, anular línguas e consolidar um padrão de poder fundamentado nos preceitos do cristianismo e articulado em línguas europeias coloniais/modernas. Em um terceiro momento, traremos à luz o percurso narrativo que fez do ocidente o centro do mundo. Sendo assim, enfatizaremos as narrativas que constituíram um ideal eurocêntrico, articuladas não só por meio dos discursos classifcatórios, mas, também, pelas retóricas da modernidade e, principalmente, pelo sentido eurocêntrico dado a uma história nomeadamente “ofcial” que se pretendera universal. Por fm, concluímos que só uma contra-narrativa de cunho descolonial pode dar conta da realidade fronteiriça e criar outras formas de pensar o mundo. Em suma, sustentamos que somente resgatando epistemologias silenciadas será possível estabelecer novas alternativas, agora mais do que nunca, para a humanidade que, em nome da modernidade, embrenhou-se pelo caminho da morte. Palavras-chave: Modernidade, Línguas, Descolonial. Recebido em: 12/06/2020 Aceito em: 27/07/2020 a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Campo Grande, MS, Brasil. E-mails: ecnolasco@uol.com.br; tiagooliar@hotmail.com