95 Heparina na Angioplastia Coronária. Estudo Randomizado em Casos com Baixo Risco Para Oclusão Aguda Luiz Fernando L. Tanajura, Amanda G. M. R. Sousa, Ibraim M. F. Pinto, Aurea J. Chaves, Marinella P. Centemero, Fausto Feres, Luiz Alberto P. Matos, Manoel N. Cano, Galo A. Maldonado, J. Eduardo M. R. Sousa São Paulo, SP Objetivo - Avaliar prospectivamente a eficácia da heparina em prevenir a oclusão aguda pós-angioplastia coronária em situações de baixo risco para a ocorrên- cia deste fenômeno. Métodos - Nos últimos 4 anos, 525 pacientes sub- metidos a dilatação coronária com sucesso, foram randomizados para receber (n=264) ou não (n=261) heparina, após procedimento. Os critérios de oclusão foram contra-indicação ao uso da droga e risco eleva- do para oclusão aguda (angina instável refratária, angioplastia direta no infarto do miocárdio, dissecção coronária, presença de trombos intracoronários e dila- tação de oclusões crônicas). Comparando os que rece- beram heparina com os que não receberam, não se ob- servou qualquer diferença significativa, quanto ao sexo (15% x 17% do sexo feminino, NS), idade acima de 70 anos (7% x 9% NS), infarto prévio (26% x 24% NS), di- latação de múltiplos vasos (4% x 7% NS), angina está- vel (40% x 46% NS), angina instável (52% x 48% NS) e trombólise preliminar (8% x 6% NS). Resultados - No total dos casos, ocorreram 2/525 (0,4%), oclusões agadas, sendo uma (0,4%) em cada gru- po. Houve 1/525 (0,2%) óbito hospitalar, causado por infarto do miocárdio (grupo com heparina). A incidên- cia de infarto foi 0,4% nos dois grupos: ocorreu 1 (0,4%) operação de emergência no grupo sem heparina. Foram observadas complicações hemorrágicas em 7% dos pa- cientes com heparina e em 2% dos que não receberam a droga (p=0,02), todas nos locais de punção e dissec- ção utilizados para o cateterismo cardíaco. Não houve hemorragias sistêmicas ou necessidade de transfusão sangüínea. Conclusão - Nos pacientes considerados de baixo risco para oclusão aguda pós-anginplastia coronária, a ocorrência deste fenômeno foi realmente reduzida (0,4%). O emprego da heparina, em dose plena e com ajustes adequados aparentemente, não influenciou este resultado. Palavras-chaves : Angioplastia coronária, heparina, infarto do miocárdio. Use of Heparin in Coronary Angioplasty: Randomizad Trial in Low Risk Patients For Abrupt Closure Purpose - To assess the efficacy of heparin in preventing the abrupt closure after coronary angioplasty in low risk patients for this phenomenon. Methods - In the last 4 years, 525 patients sucessfully dilated wore randomized to receive intravenous heparin (n=264) or not (n=261) after the angioplasty. The excluding criteria were contraindications for heparin and risifor abrupt closure (reiractory unstable angina, primary coronary angioplasty in acute myocardial inforction, evidence of intracoronary thrombos, intimal tear after the procedure and cases of chronic total oclusions). Both heparin and non heparin groups were similar in respect to female sex (15% x 17%; p=NS), age over 70 years old (7% x 9%; p=NS), previous myocardial infarction (26% x 24%; p=NS), multi-vessel procedures (4%x 7%; p=NS, stable angina (40% x 46%; p=NS), unstable angina (52% x 48%; p=NS) and angioplasty after thrombolitic therapy (8% x 6%; p=NS). Results - The overall incidence of abrupt closure was 2/525 (0.4%), with one case (0.4%) in each group. The in-hospital mortality was 1/525 (0.2%), which occured in a non-heparin patient, due to a anterior myocardial inforction. Major complications occured similary in heparin and non-heparin groups (0.4%). Bleeding complications were observed more frequently in the heparin group (7% x 2%,p=0.002). All of them were in the catheterization site and none required blood transfusion. Severe sistemic bleeding were not observed. Conclusion - In patients regarded as low risk for abrupt closure, the incidence of this complication was really low (0.4%) and heparin probably do not prevent it. Key-words: Coronary angioplasty, heparin, myocardial infarction. Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia - São Paulo Correspondência: Luiz Fernando L. Tanajura - Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, - Av. Dante Pazzanese, 500 - 04012, São Paulo, SP. Recebido para publicação em 22 5/92 Aceito em 20/9/92 Artigo Original