ESTRATEGIAS DE INFERENCIA LEXICAL NA LEITURA DE SEGUNDA LINGUA Angela B. Kleiman (UNICANP) INTRODUCAO 0 conhecimento de palavras este fortemente relacionado a capacidade de compreender o texto escrito. Embora a natureza da relagao seja obscure e as explicagOes polemicas (vide, por exemplo, as correlagaes em testes de aptidao verbal e inteli- gencia, Carroll, 1972, Freebody e Anderson, 1979), varios estu- dos indicam ineguivocamente a existencia de tal relagao (Davis, 1968, Carroll, 1972). No nivel puramente intuitive, o leitor parece pressupor tal relagac, a julgar pela expectativa bastan- te comum do aprendiz de segunda lingua de que as suas dificul- dades na leitura dessa lingua serao minimizadas se ele souber o significado de todas as palavras do texto. Esta visao unilate- ral da compreensao do text° e apenas sintomatica do nivel de frustragao que um texto povoado de palavras desconhecidas cause no leitor. Tal texto é, de fato, ilegivel. E isto porque conhe- cer uma palavra implica, entre outras coisas, conhecer algo sobre os eventos e coisas a que ela se refere; implica em ou- tras palavras, que possuimos algo do conhecimento necessario pare compreender o texto (cf. Freebody e Anderson, 1979): se conhecemos, por exemplo, o significado de "rolote", provavel- mente sabemos algo sobre costura e faremos alguma ideia do sig- nificado de um trecho como "Vingue a tira do vies, direito so- bre direito, e entre eles o cordone", trecho que, pars quern nao conhece nada sobre o assunto, pode sex "chines", isto e, pode ester totalmente fora da sua vivencia cultural. Considerando que o conhecimento lexical de um leitor nu- ma lingua estrangeira e limitado, a eficacia das estrategias de inferencia de significado de palavras atraves do contexto crucial pare a compreensao, e aprendizagem da lingua. Porem, co- mo Scott (1984) assinala, sao poucos os estudos que se dirigem - a questao de coma inferimos o significado de palavras desconhe- cidas em contexto, seja na lingua materna ou na lingua estran- ILHA DO DESTERRO, 19 Semestre de 1985, p.67 a 82 67