252 DOI: http://dx.doi.org/10.22409/cadletrasuf.v32i63.50072 Cadernos de Letras UFF, Niterói, v.32, n.63, p.252-279, 2º semestre de 2021 Ambivalências da maternidade na literatura brasileira contemporânea: a derrocada do mito da boa mãe em Com armas sonolentas, de Carola Saavedra Gabriela Dal Bosco Sitta1 Gabriel Pinezi2 Resumo: Neste artigo, analisamos como a maternidade é narrada no romance Com armas sonolentas, de Carola Saavedra (2018a), cujo enredo enseja uma refexão a respeito da derrocada do mito do amor materno, o qual postula a bondade inata da mãe (BADINTER, 1980). No romance, a bondade materna é contestada, já que a reação de uma mãe à sua gravidez e às tarefas implicadas no cuidado da criança é narrada a partir de uma disjunção entre dar à luz e amar a prole. Com base nesses aspectos, concluímos que no romance a ambivalência do amor materno se apresenta a partir de uma tensão entre dois polos de signifcação: o primeiro, trágico (SZONDI, 2004); o segundo, formador (MAAS, 2000). Palavras-chave: Ambivalência. Maternidade. Amor materno. Literatura brasileira contemporânea. E m dada altura de Com armas sonolentas, romance de Carola Saavedra, uma das protagonistas menciona o nascimento dos flhotes de uma cadela que conheceu na infância: [...] minha mãe disse que eles haviam voltado para a barriga de Diva, minha mãe não queria dizer que Diva havia devorado os próprios flhotes, mas também não queria mentir, então disse aquilo, que os cachorrinhos haviam voltado para a barriga, mas 1 Mestranda em Letras pela Unicentro, campus Guarapuava (PR). 2 Doutor em Letras pela UEL e professor colaborador da Unicentro, campus Guarapuava (PR).