«A narrativa, que durante tanto tempo floresceu num meio de artesão – no campo, no mar e na cidade –, é ela própria, num certo sentido, uma forma artesanal de comunicação. Ela não está interessada em transmitir o ‹puro em si› da coisa narrada como uma informação ou um relatório. Ela mergulha a coisa na vida do narrador para em seguida a retirar dele. Assim se imprime na narrativa a marca do narrador, como a mão do oleiro na argila do vaso.» (Benjamin, 1994: 205). Em jeito de introdução Eça de Queiroz, na famosa carta a Joaquim de Araújo (25 de fevereiro de 1878), que lhe pedira uma biografia de Ramalho Ortigão, escreve com humor e alguma ironia: «Diz-se geralmente – Ramalho Ortigão, autor de As Farpas; não seria inexato dizer – As Farpas, autoras de Ramalho Ortigão. A sua obra tem-no criado» (Queiroz, 2000). Parafraseando Eça, é possível dizer, agora sem ponta de ironia, que os cinco volumes das Recordações da Pesca do Bacalhau são autores de Valdemar Aveiro. Sim, se criamos palavras, as palavras também nos Valdemar Aveiro, o cronista da pesca do bacalhau Valdemar AVEIRO (2006), Histórias Desconhecidas dos Grandes Trabalhadores do Mar. Recordações da Pesca do Bacalhau. Lisboa: Âncora Editora, 226 p. — ( 2 2007), 80 Graus Norte. Recordações da Pesca do Bacalhau. Porto: Papiro Editora, 214 p. — ( 3 2009) 80 Graus Norte. Recordações da Pesca do Bacalhau. Lisboa: Âncora Editora, 214 p. — (2012), Murmúrios do Vento. Recordações da Pesca do Bacalhau. Lisboa: Editorial Futura, 222 p. — ( 2 2014), Ecos do Grande Norte. Recordações da Pesca do Bacalhau. Lisboa: Âncora Editora, 141 p. — (2016), Nómadas do Oceano. Recordações da Pesca do Bacalhau. Lisboa: Âncora Editora, 165 p. RUA-L. Revista da Universidade de Aveiro | n.º 4 (II. série) 2015 | p. 187-196 | ISSN 0870-1547