CARTOGRAFIA TEMÁTICA E CARTOGRAFIA PARTICIPATIVA: contribuições para uma abordagem materialista do tripé ensino-pesquisa-extensão Daniel Sombra Otávio do Canto Carlos Jorge Nogueira de Castro Madson José Nascimento Quaresma ______________________________ Introdução O presente artigo apresenta algumas contribuições da cartografia, um conjunto de conhecimentos historicamente ligado à geografia, mas de natureza interdisciplinar, na medida em que dialoga diretamente com outras disciplinas cientificas, para uma abordagem materialista de aplicação de práticas de ensino, pesquisa e extensão. Compreende-se que a cartografia, como um processo de codificação do mundo, em suas dimensões diversas (o que a filosofia e a geografia, entre outras nomearam como as dimensões absoluta, relativa e relacional do espaço), contribui efetivamente para os processos gnosiológico, epistemológico e ontológico. São processos de totalização, de compreensão das relações sociais, mediadas pelo mundo, e de suas propriedades. O primeiro diz respeito ao ato de conhecer, de saber, de aprender. Há diversas formas de aprendizagem e de inteligências, e, portanto, de ensino, anteriores, aquém e além da ciência (GARDNER, 2003). O campo do ensino é, portanto, diverso. O segundo diz respeito ao ato investigativo, logo, à capacidade das pessoas, em sociedade, de inquirir, de analisar, de sistematizar o que é aprendido. Esse é o campo da pesquisa, tão caro à ciência. Há diversas formas de conhecimentos, as quais costumam ser, grosso modo, classificadas como “conhecimento empírico” (ou senso comum), “conhecimento teológico”, “conhecimento filosófico” e “conhecimento científico” (JAPIASSU, 1991). Essa é uma categorização apriorística, que, de uma perspectiva muito própria ao conhecimento científico ocidental, englobou uma diversidade de conhecimentos de tempos e espaços distintos como “conhecimentos empíricos”. Perspectiva hoje questionada por diversos autores, que anunciam a emergência de “epistemologias do Sul”, ou seja, para além do mundo europeu e anglo-saxão (SANTOS, 2019).