LÍNGUA(GEM) E JUSTIÇA SOCIAL: SABERES, PRÁTICAS E PARADIGMAS | VOLUME 1 137 DOI: 10.52788/9786589932253.1-7 Língua(gem)-discurso-ideologia: o pós-feminismo e a limitação da justiça social Agda Dias Baeta Introdução O feminismo está na moda e tem sido convencionado nos discursos pú- blicos de empoderamento das mulheres (SIMÕES e AMARAL, 2020), os quais ecoam nos meios de comunicação e nas retóricas das instituições políticas, econômicas e sociais. Apesar disso, a equidade de gênero ainda é uma realida- de distante em todo mundo (GALLAGHER, 2013), até mesmo em países tidos como referência em desenvolvimento social (GADIR, 2017; IKONEN, 2020). A persistência da desigualdade de gênero e da opressão das mulheres em meio a popularização do tema reside no fato de que a manifestação dos feminismos na sociedade contemporânea se dá em dois níveis: o dos movimentos sociais e o das construções discursivas (FRASER, 2009). No primeiro nível, o objeti- vo sempre foi e será a busca pela justiça de gênero. Já, enquanto construção discursiva, a manifestação do feminismo de maior visibilidade na sociedade contemporânea – o pós-feminismo – não está articulada com esse mesmo propósito, o que constitui um dos grandes desafos enfrentados pelas femi- nistas da atualidade. Se, por um lado, o feminismo e seu vocabulário ganha- ram visibilidade e repercussão midiática; por outro, têm sido difundidos se- gundo a lógica neoliberal de individualismo, liberdade de escolha, autonomia e consumo que mina a luta coletiva e os esvazia de seu teor político (GALLA- GHER, 2013) e transformador. p T 7 BAETA, Agda Dias. (2021) Língua(gem)-discurso-ideologia: o pós-feminismo e a limitação da justiça social. In: SOUZA NETO, M. J. (org). Língua(gem) e justiça social: saberes, práticas e paradigmas. Tutóia/MA: Diálogos, 2021. v.1. pp. 137-157. DOI: 10.52788/9786589932253.1-7