Rev. Ciênc. Méd. Biol., Salvador, v. 15, n. 3, p. 359-362, set./dez. 2016 359 ARTIGO ORIGINAL ISSN 1677-5090 2016 Revista de Ciências Médicas e Biológicas DOI: htp://dx.doi.org/10.9771/cmbio.v15i3.18204 Perfl da dor no ombro em pacientes com síndrome do manguito rotador Profle of shoulder pain in patents with rotator cuf syndrome Daniela Dias 1* , Eder Pereira Rodrigues 2 , Eduardo Pondé de Sena 3 , Mansueto Gomes Neto 4 . 1 Aluna especial do Doutorado da Pós-Graduação de Processos Interatvos de Órgãos e Sistemas da UFBA. Professora Assistente II, Departamento de Fisioterapia da UFBA; 2 Doutorando do Programa de Pós Graduação Processos Interatvos dos Órgãos e Sistemas, ICS/UFBA. Professor Assistente da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); 3 Doutor em Medicina e Saúde pela UFBA. Professor Associado do Insttuto de Ciências da Saúde (ICS) da UFBA. Professor do Programa de Pós-graduação Processos Interatvos dos Órgãos e Sistemas do ICS/UFBA; 4 Doutor em Medicina e Saúde pela UFBA. Professor Adjunto do Departamento de Fisioterapia da UFBA. Resumo Introdução: a dor no ombro é um problema musculo-esquelétco comum. Estudos apontam uma prevalência estmada de 14 a 21% na população geral. Dados do Insttuto Nacional de Seguridade Social (INSS) mostram a concessão de 202.832 benefcios por incapacidade relacionados a problemas do ombro. O objetvo deste estudo é avaliar o perfl da dor no ombro em pacientes com síndrome do manguito rotador. Metodologia: estudo transversal, descritvo, com base em dados colhidos de prontuários clínicos de 103 pacientes atendidos em uma clínica privada de fsioterapia na cidade de Salvador, Bahia, no período de maio de 2006 a maio de 2007. Resultado: do total dos 103 pacientes estudados com lesão do manguito rotador no ombro, 71% dos pacientes foram do sexo feminino. A média de idade dos pacientes foi de 49,2+15 anos. A intensidade da dor foi mensurada através da escala visual analógica (EVA) e teve média de dor de 6,2 ± 2,2, dos quais 50,5 % dos pacientes cursaram com dor no ombro durante seis meses ou mais. Conclusão: o perfl da dor no ombro mostrou predomínio em mulheres, idade acima de 47 anos, ombro direito mais afetado com EVA de leve a moderada, mais presente ao movimento, durante a noite e duração crônica. Palavras-chave: Dor. Lesões do manguito rotador. Artculação do ombro. Abstract Introducton: shoulder pain is a common musculoskeletal problem. Studies indicate an estmated prevalence of 14-21% in the general populaton. Data from the Natonal Insttute of Social Security (INSS) show the grantng of 202,832 disability benefts related to shoulder problems. The aim of this study is to evaluate the profle of shoulder pain in patents with rotator cuf syndrome. Methodology: cross- sectonal, descriptve study based on data collected from clinical records of 103 patents treated at a private physiotherapy clinic in the city of Salvador, Bahia, from May 2006 to May 2007. Results: a total of 103 patents studied with rotator cuf shoulder injury, 71% of patents were female. The average age of patents was 49.2 ± 15 years. Pain intensity was measured using a visual analog scale (VAS) and pain averaged 6.2 ± 2.2, of which 50.5% of patents presentng with shoulder pain for six months or more. Conclusion: pain in the shoulder profle showed predominance in women over the age of 47 years with the right shoulder afected mostly with VAS mild to moderate, more present to the movement during the night and chronic duraton. Keywords: Pain. Rotator cuf. Shoulder joint. INTRODUÇÃO A dor no ombro é uma condição incapacitante comum vivenciada por muitos pacientes (XU et al., 2015), sendo uma das condições músculo-esquelétcas mais comuns observadas nos serviços de atenção primária (URWIN et al., 1998). Apresenta prevalência que varia de 20 a 33% na população adulta. (LUIME et al., 2004). Tem sido relatado que a dor no ombro é a terceira queixa musculo- -esquelétca mais frequente após as dores nas costas e joelho na população geral (URWIN et al., 1998). A dor no ombro é inferior apenas às queixas de lombalgia e dor de garganta e afeta um em cada três adultos (CHARD et al., 1991; VAN DER HEIJDEN, 1999). No Brasil as estatstcas do Insttuto Nacional de Seguridade Social (INSS) mostram a concessão de 202.832 benefcios por incapacidade rela- cionados a problemas do Ombro, dos quais 33.223 eram devidos à Síndrome do Manguito Rotador, no período de 2004 a 2013 (BRASIL, 2014). Acredita-se que a causa mais comum de dor no ombro é a lesão do manguito rotador, com prevalência estmada entre 9.7% a 62% (TEUNIS et al., 2014), podendo acometer indivíduos em qualquer faixa etária, independente da atvidade recreatva ou laboral desenvolvida (BADLEY; TENNANT,1992; NOVÉ-JOSSERAND et al., 2005; WHITE, 1982). As desordens do manguito rotador podem levar à substancial limitação e signifcatva morbidade no ombro desses pacientes (ANDERSEN; HAAHR; FROST, 2007). As lesões do manguito rotador geralmente se apre- sentam como uma dor na região anterolateral do ombro e Correspondente/Corresponding: *Daniela Dias da Silva Garzedin – Av. Reitor Miguel Calmon, s/n, Sala 414, Vale do Canela, Salvador-BA. – CEP: 40110-100 – Insttuto de Ciências da Saúde – ICS/UFBA – Depto. de Fisioterapia. E-mail:dgarzedin@ufa.br